viernes, 22 de junio de 2018

INDIA: Tribunal Popular condena a muerte a soplón policial



correovermello-noticias
New Delhi, 22.06.18
Según la prensa india, un Tribunal Popular (Jan Adalat) organizado por los maoístas en la aldea de Useli, en el bazar semanal del pueblo, en el distrito de Kanker condeno a muerte y posteriormente ejecuto a un individuo acusado de informador policial y agente responsable del envenenamiento de la comida para matar a los combatientes revolucionarios.
Una columna de miembros del EGPL de aproximadamente 50 combatientes estuvieron presentes en el juicio. Asi mismo se informa que fueron colocados carteles explicativos de esta nueva ejecución de un enemigo del Pueblo.





As correntes filosóficas no movimento feminista (Anuradha Gandhy) (II)

Feminismo radical

Dentro do feminismo burguês, na primeira fase do movimento de mulheres nos séculos XIX e princípios do liberalismo no século XX, o feminismo radical foi a ideologia dominante: na fase contemporânea do feminismo radical, o movimento de mulheres teve um forte impacto, e de muitas maneiras, porém de forma difusa, muitas ideias e posições podem remontar ao debate feminista radical. Em contraste com o enfoque pragmático adotado pelo feminismo liberal, o feminismo radical se destina a remodelar a sociedade e a reestruturar suas instituições, vistas como inerentemente patriarcais. Proporcionando a teoria fundamental para o feminismo moderno, as radicais argumentaram que o papel subordinado da mulher na sociedade estava estreitamente tecido na teia social [socialização], que pode ser desenredada sem uma transformação revolucionária da própria sociedade. Esforçaram-se para suplantar as relações de poder hierárquicas e tradicionais (que viam como um reflexo de uma inclinação masculina), com enfoque não-hierárquico e antiautoritário à política e à organização.
Na segunda fase do feminismo, nos Estados Unidos, as feministas radicais surgiram dos movimentos sociais da década de 1960 (o movimento pelos direitos civis, o novo movimento de esquerda e o movimento pela paz contra a guerra do Vietnam). Eram mulheres que não estavam satisfeitas com o papel designado a elas nestes movimentos e com a forma com que a nova esquerda abordou a questão da mulher em seus escritos, teóricos e populares. Ao mesmo tempo, nenhuma delas queria preservar o sistema vigente. Assim, em sua fase inicial, os escritos eram um debate com o marxismo, uma tentativa de modificar ou de reescrever o marxismo. Mais tarde, quando o movimento feminista radical se fortaleceu, o marxismo foi posto de lado, e toda atenção se deslocou para uma análise do sistema sexo/gênero e do patriarcado como sistema desligado do sistema capitalista. Nesta fase contemporânea de atenção, o feminismo se centrou nas origens da opressão das mulheres e muitos livros foram escritos teóricos para tentar analisar as formas de opressão da mulher e o rastrear das raízes desta opressão. Contudo, algo que se deve levar em conta, é que em toda sua escritura, elas mantém apenas sua própria sociedade em mente.
Parte daí toda sua crítica, descrição e análise dos acordos com as sociedades capitalistas avançadas (EUA especificamente). Em 1970, Kate Millet publicou o livro “A política sexual”, onde desafiou a noção formal da política e apresentou uma visão mais ampla das relações de poder entre os homens e as mulheres na sociedade. Daí que o livro intitule-se “Política sexual”. Aqui ela afirmou que o pessoal é o político, o que se converteu em lema popular do movimento feminista. “O pessoal é o político” equivalia dizer que o descontentamento que cada mulher sente em sua vida não se deve a algo individual, mas ao sistema social, que tem mantido as mulheres na subordinação e opressão de muitas maneiras. Seus sentimentos pessoais são, portanto, questão política.
De fato, ela modificou a visão materialista histórica, afirmando que a relação homem-mulher é um marco para todas as relações de poder na sociedade. Segundo o feminismo radical, estas “classes sociais” (os homens a classe social opressora, as mulheres a classe social oprimida e subordinada) substituem todas as outras formas de desigualdade, seja racial, política ou econômica. Esta é a situação humana primária. Estas outras maneiras de opressão continuarão porque adquirem a legitimidade lógica e emocional da opressão nesta situação primária. O patriarcado, segundo ela, é o controle masculino sobre o mundo público e privado. De acordo com ela, para eliminar o patriarcado, deve-se eliminar o gênero, quer dizer, a condição sexual, o papel e o temperamento, já que foram construídos sob o patriarcado. A ideologia patriarcal exagera as diferenças biológicas entre homens e mulheres e subordina as mulheres. Millet advoga por uma nova sociedade, que não se baseie no sistema sexo/gênero e onde os homens e as mulheres sejam iguais. Ao mesmo tempo, afirma que deve-se avançar lentamente para isto, eliminando as características indesejáveis, como a obediência das mulheres e a arrogância dos homens. O livro de Kate Millet foi muito influente durante muito tempo. Outra escritora influente foi Soulamith Firestone, que argumentou em seu livro “Dialética do sexo” (1970) que as origens da subordinação das mulheres e a dominação dos homens jaziam nas funções reprodutivas de homens e mulheres. Neste livro, ela reescreve Marx e Engels.
Engels havia escrito sobre o materialismo histórico da seguinte maneira: “é a visão do curso da história que busca a causa íntima e a grande mobilização de todos os eventos históricos no desenvolvimento econômico da sociedade, nas mudanças do modo de produção e troca, na divisão da sociedade em classes distintas e na luta destas classes entre si”.
Firestone reescreveu da seguinte maneira: “o materialismo histórico é a visão do curso da história que busca a causa última e a grande mobilização de todos os eventos históricos na dialética do sexo: a divisão da sociedade em duas classes claramente biológicas para a procriação e a reprodução, e as lutas destas classes entre sí; nas mudanças no modo de matrimônio, na reprodução e no cuidado dos filhos, criados por estas lutas; no desenvolvimento de outras classes conectadas fisicamente e diferenciadas (castas); e na divisão do trabalho baseado no sexo que se desenvolveu no sistema (econômico-cultural) de classes”.

CRITICA

Firestone se centrou na reprodução no lugar da produção como a força motriz da história. Além disso, em vez de identificar as causas sociais da condição da mulher, deu ênfase às razões biológicas para sua condição e as converteu em forças motrizes da história. Pensava que o fato biológico das mulheres poderem ter filhos seria a base material para a posição das mulheres na sociedade e que era necessária uma revolução biológica e social para efetivar a libertação humana. Também tinha a opinião de que a diferença sexo/gênero deve ser eliminada e que os seres humanos devem ser andróginos. Mas foi mais além que Kate Millet na solução. Advogou por colocar fim à opressão das mulheres, dizendo que a menos que as mulheres renunciassem ao seu papel reprodutivo e já não tivessem filhos e que, portanto, a base existente da família se transformasse, não seria possível libertar completamente a mulher.
Para tanto, segundo ela, a menos que a reprodução natural fosse substituída pela reprodução artificial, e que a família tradicional fosse substituída pela família intencional, as divisões biológicas entre os sexos não seriam eliminadas. A família biológica é a família em que os membros estão conectados geneticamente (pais e filhos), enquanto que a família intencional significa uma família escolhida por amizade ou conveniência. Ela acreditava que se esta mudança ocorresse, não existiriam os diversos complexos de personalidade que se desenvolvem na sociedade atual. Outras escreveram acerca de como se deu o primeiro conflito social entre homens e mulheres. O homem caçador era propenso à violência e subjugou a mulher através do estupro (Susan Brownmiller).
Estes escritos refletem o tom do movimento feminino em seu setor mais radical, que não se contentava com os esforços das feministas liberais em mudar as leis e fazer campanhas para tais questões. Exigiram que se insistisse na posição tradicional da mulher quanto ao papel reprodutivo, na questão das diferenças de gênero/sexuais e na questão da própria estrutura da sociedade como patriarcal, hierárquica e opressiva. Queriam uma transformação total da sociedade. Assim, as feministas radicais viam a si próprias como revolucionárias em vez de reformistas. O ponto fundamental que defendem é que o sistema sexo/gênero é a causa da opressão das mulheres. Consideraram a relação homem-mulher de forma isolada do resto do sistema social, como uma contradição fundamental. Como resultado de toda sua orientação, direção de análise e ação, ocupam-se fundamentalmente desta contradição, e isto lhes conduziu ao separatismo. Ao centrar-se no papel reprodutivo da mulher, tornam as relações sexuais e familiares em objetivos centrais de seu ataque para transformar a sociedade.

Sistema sexo-gênero e patriarcado

O ponto central na compreensão feminista radical é o sistema sexo/gênero. De acordo com uma definição popular dada por Gayle Rubin, o sistema sexo/gênero é um “conjunto de disposições mediante as quais uma sociedade transforma a sexualidade biológica em produtos da atividade humana”. Isto significa que a sociedade patriarcal utiliza certos fatos acerca da fisiologia masculina e feminina (sexo) como base para a construção de um conjunto de identidades masculinas e femininas e de comportamento (de gênero) que servem para capacitar homens e mulheres, ou seja, como deve ser um homem e como deve ser uma mulher. Esta, segundo elas, é a base ideológica da subordinação das mulheres. A sociedade é de alguma maneira convencida de que estas características de condutas determinadas culturalmente são “naturais”. Portanto, afirmam que o comportamento “normal” depende da habilidade de cada indivíduo de mostrar a identidade de gênero e o comportamento que a sociedade relaciona com o sexo biológico de cada pessoa.
Inicialmente as feministas radicais, por exemplo o grupo de Boston ou o grupo radical de Nova Iorque, confirmaram as visões de Kate Millet e de Firestone, e se centraram nas formas como o conceito de feminilidade, as funções e as responsabilidades reprodutivas e sexuais (criação dos filhos, etc), servem para limitar o desenvolvimento das mulheres como pessoas completas. Assim, advogaram pela androginia. Androginia significa ser tanto homem como mulher, ter características tanto do homem como da mulher, para que os papéis de sexo não se perpetuem. Isto significa que as mulheres devem adotar algumas características masculinas (e os homens algumas características femininas). Porém mais tarde, em finais dos anos 1970, uma seção de feministas radicais rechaçou o objetivo da androginia, pois pensavam que isto significava que as mulheres deveriam aprender algumas das piores características da masculinidade. Em vez disso, propõem que a mulher deve afirmar sua “feminilidade”. As mulheres devem tratar de ser mais como mulheres, ou seja, dar ênfase às virtudes da mulher tais como a independência, a comunidade, a conexão, o partilhar, a emoção, o corpo, a confiança, a ausência de hierarquia, a natureza, a imanência, o processo, a alegria, a paz e a vida. Daqui em diante, toda sua atenção se torna separatista; as mulheres apenas deveriam relacionar-se com mulheres, deveriam construir uma cultura e instituições de mulheres.
Com isso mudou inclusive sua compreensão acerca da sexualidade e elas acreditaram que as mulheres deveriam converter-se em lésbicas, apoiando as relações lésbicas e monogâmicas como o melhor para as mulheres. Politicamente converteram-se em pacifistas. A violência e a agressão são, segundo elas, características masculinas que devem ser rechaçadas. Afirmam que as mulheres são naturalmente amantes da paz e doadoras da vida. Com a construção de instituições alternativas elas acreditavam estar trazendo a mudança revolucionária. Começaram a construir clubes de mulheres, realizavam filmes de mulheres e outras formas de cultura separada para mulheres. Em sua compreensão, a transformação revolucionária da sociedade será levada à cabo de forma gradual. Esta corrente é chamada feminismo cultural porque se centra por completo no aspecto cultural da sociedade. Elas não relacionam a cultura à estrutura político-econômica da sociedade. Contudo, isto se converteu na principal tendência do feminismo radical e se entrelaça com o eco-feminismo e com o pós-modernismo. Entre as feministas culturais destacam-se Marilyn French e Mary Daly.

Sexualidade: heterossexualidade e lesbianismo

Dado que as relações homem-mulher são a contradição fundamental para as feministas radicais, elas têm investido uma grande quantidade de atenção às relações sexuais entre homens e mulheres. A sexualidade se converteu no palco da maioria das discussões e debates que se concentram no feminismo radical. A postura das igrejas cristãs no ocidente, em relação a diversos temas como o sexo e a postura com o aborto, tem sido extremamente conservadora. Isto ainda mais em países como EUA, França e Itália. A moral cristã tem defendido relações sexuais apenas depois do matrimônio e se oposto ao aborto. As teóricas feministas radicais, ao mesmo tempo que enfrentavam isto, expuseram como na sociedade patriarcal, dentro das relações sexuais (inclusive no matrimônio) as mulheres geralmente percebem um sentimento de dominação.
É neste contexto em que as questões da repressão sexual, da heterossexualidade compulsória, da homossexualidade ou da escolha sexual, se converteram em temas de discussão e debate. As feministas radicais defendem que em uma sociedade patriarcal, nas relações e nas práticas sexuais, a dominação masculina prevalece. Isso tem sido qualificado como repressão pela primeira corrente e ideologia de objetificação sexual pelas feministas culturais. Segundo elas, o sexo é visto como algo mal, perigoso e negativo. O único sexo permitido e considerado aceitável é a prática heterossexual civil. Há a pressão na sociedade patriarcal para ser heterossexual e as minorias sexuais, como lésbicas, travestis e transexuais, são consideradas inaceitáveis. O prazer sexual, uma poderosa força natural, é controlado pela sociedade patriarcal, separando as práticas sexuais consideradas sãs de práticas ilegítimas.
Mas as duas correntes têm compreensões muito diferentes da sexualidade, o que afeta as demandas que fazem e as soluções que oferecem. Segundo as feministas radicais, a repressão sexual é uma das mais cruas e irracionais formas das forças da civilização para controlar o comportamento humano. A permissividade é o melhor para os homens e para as mulheres. As feministas culturais, ao contrário, consideram que as relações heterossexuais se caracterizam por uma ideologia de objetificação onde os homens são os chefes/sujeitos e as mulheres são as escravas/objetos. “A heterossexualidade tem certas similitudes com o colonialismo, em particular em sua manutenção, através da força quando o paternalismo é rechaçado, e na representação da dominação como algo natural e na desqualificação das mulheres” (Sarah Hoagland Lucia).
É uma forma de violência sexual masculina contra as mulheres. Assim, as feministas devem opor-se a qualquer prática sexual que normaliza a violência sexual masculina. Segundo elas, as mulheres devem recuperar o controle sobre sua sexualidade mediante o desenvolvimento do interesse sobre suas próprias prioridades sexuais que diferem das prioridades dos homens. As mulheres, afirmam, desejam a intimidade e o cuidado ao invés da performance. Assim, defenderam que as mulheres devem rechaçar as relações heterossexuais e tornarem-se lésbicas.
Além disso, as radicais acreditavam que as mulheres deviam buscar seu prazer, de acordo com Gayle Rubin, sem regras. Para as feministas culturais, a heterossexualidade trata da dominação masculina e da subordinação feminina e é por isso que existe a pornografia, a prostituição, o assédio sexual e os maus-tratos às mulheres. Defenderam assim que as mulheres deviam renunciar às relações heterossexuais e entrar em relações lésbicas, onde existe implicação emocional.
As feministas culturais enfatizaram a necessidade de desenvolver a “feminilidade” essencial da mulher. O lesbianismo foi impulsionado no movimento feminino do Ocidente em princípios da década de 1980, mas começou a retroceder alguns anos depois. A solução oferecida pelas feministas culturais é acabar com a subordinação das mulheres, rompendo a relação sexual entre homens e mulheres, com as mulheres formando uma classe separada. A primeira tendência advoga pelas relações sexuais livres, desvinculadas de qualquer implicação emocional, seja com homens ou mulheres.
De fato, a solução que propõem é transformar as relações pessoais íntimas em um tipo de comodidade baseada em relação impessoal. Daí a apoiar a pornografia e a prostituição é um passo. Enquanto as feministas culturais se opuseram firmemente à pornografia, as radicais não estavam de acordo com que a pornografia tivesse um impacto negativo na forma como os homens veem as mulheres. Por sua vez, defendem que a pornografia poderia ser utilizada para superar a repressão sexual. Mesmo em questões de tecnologia reprodutiva, as duas partes se diferem. Enquanto as radicais apoiavam a tecnologia reprodutiva, as culturais se opuseram à ela. As feministas culturais defendiam que as mulheres não devem renunciar à maternidade, já que este é o único poder que possuem. Estiveram ativas nos debates éticos levantados sobre tecnologia reprodutiva, como os direitos da mãe de aluguel ou biológica.

Crítica

Desde a perspectiva dada é óbvio que as feministas radicais têm pisoteado o marxismo, por assim dizer. Vamos abordar os argumentos de Firestone na seção sobre as feministas socialistas, mas alguns pontos devem ser mencionados. Em seu entendimento das condições materiais, foi tomado o aspecto físico e biológico da mulher como o fundamental de sua análise, concluindo que esta é a razão da opressão das mulheres. Marx escreveu que a produção e a reprodução da vida são as duas condições básicas para a existência humana. A reprodução compreende tanto a reprodução da pessoa no dia à dia como a reprodução da espécie humana. A reprodução das espécies é algo que o ser humano partilha com o reino animal. Assim, esta não poderia ser a base da opressão das mulheres. Por todos os milhares de anos que as pessoas viveram nas primeiras etapas de sua existência, as mulheres não estavam subordinadas ao homem. De fato, seu papel na reprodução se celebra e lhe é dada importância devido à sobrevivência da espécie e à dependência do grupo em relação à reprodução. A importância dada à fertilidade e aos rituais de fertilidade, que sobreviveram na maioria das sociedades tribais, são o testemunho deste fato.
O marxismo entende que as condições materiais se adaptam, por isso a posição das mulheres mudou. A mudança significativa nas condições materiais veio com a geração do excesso de superprodução. Esta superprodução é a questão do surgimento das classes; tal superprodução passa a pertencer a um pequeno grupo de pessoas na comunidade. O papel da mulher na reprodução explica a razão para que no princípio tivesse um estado mais elevado e terminasse escravizada. O clã/família à que pertenciam seus filhos se tornou importante, encontrando restrições e o surgimento da família patriarcal, onde a mulher ficou subordinada ao cuidado dos filhos.
As feministas radicais trataram superficialmente o desenvolvimento histórico e os fatos históricos, e impuseram sua própria compreensão da contradição entre homem-mulher como a contradição original e principal que determinou o curso da história real. A partir deste ponto, a análise feminista radical abandona por completo a história, ignora a estrutura político-econômica e se concentra apenas nos aspectos sociais e culturais da sociedade capitalista avançada e projeta a situação de seu país como a condição humana universal. Esta é outra grande debilidade em suas análises e enfoques. Como tomaram a relação homem-mulher (relação gênero/sexual) como a contradição principal na sociedade, segundo sua análise, os homens se convertem nos principais inimigos da mulher. Já que não possuem nenhuma estratégia concreta para superar esta sociedade, mudam toda sua análise para uma crítica aos aspectos da superestrutura – a cultura, a linguagem, os conceitos, a ética – sem preocuparem-se com o capitalismo e com o papel do capitalismo na manutenção das relações de gênero e, portanto, tampouco pensam na necessidade de incluir a derrocada do capitalismo para sua estratégia para a libertação da mulher.
Enquanto as suas críticas à estrutura patriarcal são extremamente fortes, as soluções que dão são, de fato, reformistas. Suas soluções se baseiam na mudança de papéis, características, atitudes, valores morais e na criação de uma cultura alternativa. Praticamente isso significa que as pessoas podem, em certa medida, renunciar a certos valores, os homens podem renunciar a características agressivas por serem reconhecidas como características patriarcais, as mulheres podem passar a ser mais audazes e menos dependentes. Mas quando toda a estrutura da sociedade é patriarcal, até onde podem chegar estas mudanças sem a derrocada de todo o sistema capitalista, é uma questão que absolutamente não abordam. Assim terminam convertendo-se em pequenos grupos que buscam mudar seus estilos de vida, suas relações interpessoais, o enfoque no interpessoal em vez de em todo o sistema. Apesar de iniciarem através de uma análise de todo o sistema e com desejo de mudá-lo, a linha de sua análise as levou às vias reformistas. A libertação da mulher não é possível desta maneira.
A culpa é de sua própria análise. As feministas culturais têm dado um passo além, enfatizando as diferenças essenciais entre machos e fêmeas e afirmando que as inclinações e os valores característicos da fêmea (não femininos) são desejáveis. Este argumento dá maior importância à base biológica das diferenças entre masculino e feminino que à educação social. Tal argumento é, de fato, contraproducente, porque as forças conservadoras da sociedade sempre utilizaram este tipo de argumento (chamado determinismo biológico) para justificar a dominação sobre um setor da população. Os escravos eram escravos porque teriam aquelas características e se descartava que pudessem cuidar de si próprios. As mulheres são mulheres e os homens são homens porque basicamente são diferentes, por isso os papéis sociais das mulheres e dos homens também são diferentes. Este é o argumento que usam as forças conservadoras reacionárias, para oporem-se à libertação da mulher.
Este argumento tem perigosas implicações e pode recuara luta das mulheres. A masculinidade e a feminilidade são construções realizadas em uma sociedade patriarcal e temos que lutar para mudar estas rígidas construções. Mas para isso há que se fazer ruir toda a sociedade exploradora. Em uma sociedade onde a dominação patriarcal deixe de existir, como homens e mulheres serão, que tipo de características adotarão, é impossível dizer. As características que os seres humanos adotarão depois, estarão em consonância com o tipo de sociedade existente, já que não pode haver uma personalidade humana fora do marco social. Buscar esta feminilidade é como perseguir uma miragem e auto enganar-se.
Ao fazer da heterossexualidade o ponto central de suas críticas ao atual sistema que encoraja o separatismo lésbico, conduzem o movimento de mulheres a um beco sem saída. À parte de formarem as pequenas comunidades de lésbicas e construírem uma cultura alternativa, elas não puderam e não poderão ser capazes de dar um passo à frente para libertar as massas de mulheres da exploração e da opressão que sofrem. Não é prático tampouco natural pensar que as mulheres podem ter uma existência completamente separada dos homens. Com isso abandonaram completamente o objetivo de construir uma sociedade humana melhor. Esta estratégia não serve à grande massa de mulheres.
Objetivamente se converteu em uma distração da construção de um amplo movimento pela libertação da mulher. A tendência radical, através do apoio à pornografia e dando o argumento abstrato da liberdade de escolha, deu um giro reacionário que justifica o apoio à indústria do turismo sexual promovida pelos imperialistas e que está submetendo as mulheres das comunidades étnicas oprimidas e do Terceiro Mundo à exploração sexual e incalculável sofrimento. Ao criticar os hipócritas costumes sexuais repressivos da burguesia reacionária e da igreja, a tendência radical tem promovido uma alternativa única que distancia mais os seres humanos entre si e degrada a mais íntima das relações humanas. Separar o sexo da intimidade e do amor, torna as relações humanas mais mecânicas e inumanas.
Seus argumentos ainda estão absolutamente isolados das circunstâncias reais da vida das mulheres e de suas amargas experiências. Maria Mies fez uma crítica de toda esta tendência que resume a debilidade do enfoque: “A crença na educação, na ação cultural ou inclusive na revolução cultural como agentes de mudança é uma crença típica da classe média urbana. Com respeito à questão da mulher, se baseia na suposição de que a opressão da mulher não tem nada a ver com as relações básicas ocidentais, em particular nos EUA, onde geralmente as feministas não falam em capitalismo. Para muitas feministas ocidentais, a opressão da mulher tem suas raízes na cultura da civilização patriarcal. Para elas portanto, o feminismo é em grande parte um movimento cultural, uma nova ideologia, uma nova consciência…” (1986).
Este feminismo cultural que dominou o feminismo ocidental, influenciou também o pensamento feminista nos países do terceiro mundo. Se une assim à tendência pós-moderna e desvia toda a orientação do movimento de mulheres de ser uma luta para mudar as condições materiais da vida das mulheres para uma análise de “representações” e símbolos. Se opõem à ideia de que a mulher se converta em uma força militante porque enfatizam que a natureza da mulher não é violenta. Elas estão assim ignorando o papel que as mulheres têm desempenhado nas guerras contra a tirania ao longo da história. As mulheres devem seguir e seguirão desempenhando um papel ativo nas guerras justas destinadas a acabar com a opressão e a exploração. Portanto, serão ativas participantes na luta por mudança.
Em resumo, podemos ver que a tendência feminista radical tem levado o movimento de mulheres a um beco sem saída ao defender o separatismo para mulheres.
As principais debilidades na teoria e no enfoque são:
  1. Tomam uma posição filosoficamente idealista, dando grande importância às características de personalidade e aos valores culturais mais que às condições materiais. Ignoram a situação material no mundo e centram-se unicamente nos aspectos culturais.
  2. Tomam a contradição entre homem e mulher como a contradição principal, assim justificam o separatismo.
  3. Tornam o fato natural da reprodução na razão da subordinação das mulheres, e rechaçam as razões socioeconômicas da condição social da opressão, reforçando desta maneira a perspectiva conservadora, o argumento de que homens e mulheres são diferentes por natureza.
  4. Tornam a natureza do homem e da mulher imutável.
  5. Ignoram as diferenças de classe entre as mulheres, e as necessidades e os problemas das mulheres pobres.
  6. Ao propagar a natureza da mulher como não-violenta, desencorajam as mulheres a tornarem-se combatentes na luta por sua emancipação e pela emancipação da sociedade.
  7. Apesar de se afirmarem radicais apresentam soluções completamente reformistas e não podem levar a libertação das mulheres adiante.

jueves, 21 de junio de 2018

FRANCIA: Manifestación nacional unitaria por la liberación Georges Ibrahim Abdallah. Paris 23 de junio.

Manifestation nationale unitaire pour la libération de Georges Ibrahim Abdallah , 23 juin, à Paris, Place des fêtes (19ème), 15h00.

UE: As Europarlamentarias Lidia Senra e Julie Ward, protestan contra a presencia da Ministra de Exteriores da India.




As Europarlamentarias Lidia Senra e Julie Ward, protestan ao Presidente do Parlamento Europeo pola presencia da Ministra de Exteriores da India. Así mesmo denunciaron as detencións de Surendra Gadling, Rona Wilson, Sudhir Dhawale, Shoma Sen, Mahesh Raut, así como a situación de extrema gravidade do Profesor GN Saibaba.

ANTONIO TAJANI, PRESIDENT OF THE EUROPEAN PARLIAMENT (EP), REGARDING THE PRESENCE OF THE MINISTER OF EXTERNAL AFFAIRS OF INDIA, MRS. SUSHMA SWARAJ, ON THE INTERNATIONAL DAY OF YOGA IN THE EP
 
Dear President of the European Parliament,
We, the undersigned Members of the European Parliament, regret the presence of the Minister of External Affairs of India, Mrs. Sushma Swaraj, on the International Day of Yoga in the European Parliament tomorrow, Thursday 21th. Indian government does not respect human rights, it does not allow people to have the same rights, it indiscriminately kills Adivasis and Dalits communities and religious minorities such as Muslim or Christian, and it imprisons human rights defenders.
The presence of the Minister of External Affairs of India, Mrs. Sushma Swaraj, may jeopardize the good name of the European Parliament as a guarantor of the defense of human rights.
We condemn the arrests made by Maharashtra police in the early morning of June 6, 2018 of:
• Surendra Gadling, human rights lawyer and general secretary of the Indian Association of Peopleʹs Lawyers, which has represented activists and others arrested on fabricated charges.
• Rona Wilson, member of the Committee for the Release of Political Prisoners,
which has campaigned against the Unlawful Activities Prevention Act and other repressive laws.
• Sudhir Dhawale, Dalit rights activist and the editor of the Marathi magazine ʹVidrohiʹ.
• Shoma Sen, professor at Nagpur University.
• Mahesh Raut, land rights activist.
Regarding the words of Aakar Patel, Executive Director Amnesty International India: ʹThese arrests are a matter of grave concern. Surendra Gadling, Rona Wilson, Sudhir Dhawale, Shoma Sen and Mahesh Raut have a history of working to protect the rights of some of Indiaʹs most marginalized people. Their arrests raise disturbing questions about whether they are being targeted for their activism. Anyone arrested for legitimately exercising their right to freedom of expression must be released immediately and unconditionally.ʹ
During the current European Parliament term, two written questions have been addressed to the European Commission regarding the situation of the Indian teacher GN Saibaba.
He has a 90% physical disability, aggravated in recent months with acute pancreatitis, and was recommended the removal of his gallbladder. Because of this, this life imprisonment sentence is actually a death sentence for this professor, who has done nothing but defend the rights of the Adivasis and Dalits people with words, as well as denounce the counterinsurgency strategy ʹOperation Green Huntʹ.
The answers given by Vice-President Mogherini on behalf of the European Commission were the following: ʹThe EU has been closely following cases of human rights defenders arrested in India, including the cases of professor Saibaba, accused of having links with Naxal militants, and of Ms. Arundathi Roy, accused of contempt of court for her article defending the cause of Professor Saibaba.
The EU Delegation in New Delhi has made appeals on humanitarian grounds with the National Human Rights Commission. The EU attaches great importance to the issues at stake, most importantly to the freedom of expression, the right to a fair trial and the rights of human rights defenders. These issues are also addressed at the EU-India human rights dialogue.ʹ ʹThe EU continues to follow the case of professor Saibaba convicted by sessions court in Gadchiroli district of Maharashtra in March 2017.
As Professor Saibaba lodged an appeal against the verdict with the Nagpur High Court, the case is still sub judice. The EU has been raising the case on humanitarian grounds with the Indian authorities.ʹ How can the European Parliament allow the presence of a Minister of a Government that defends that there are first and second humans, indiscriminately kills the Adivasis, Dalits and religious minoritiesʹ population and that imprison human rights activists? We urge the cancellation of the presence of the Minister of Foreign Affairs of India, Mrs. Sushma Swaraj, in the European Parliamient and demands the immediate release of Prof. GN Saibaba, Advocate Surendra Gadling, Prof Shoma Sen, Sudhir Dhawle, Rona Wilson Mahesh Raut and all human rights defenders in India.
Sincerely,
MEP Lídia Senra
MEP Julie Ward
Brussels,
20th of June 2018



As correntes filosóficas no movimento feminista (Anuradha Gandhy) (I)


As correntes filosóficas no movimento feminista (Anuradha Gandhy)

 Tradução-contribuição de leitora (crédito ao fim da publicação)

(Original em inglês: http://massalijn.nl/theory/philosophical-trends-in-the-feminist-movement/) trechos a mais
Disponível em espanhol: https://culturaproletaria.wordpress.com/2016/12/09/critica-al-feminismo-en-occidente/) – reproduzido pelo Da.Rjo


O seguinte texto é obra de Anuradha Gandhy, fundadora do PCI(M-L) e membro do CC do PCI(Maoísta) até sua morte.
Introdução geral ao Movimento de Mulheres no Ocidente, pela Camarada Janaki (Anuradha Ghandy):
– Feminismo liberal.
– Crítica.
– Feminismo radical.
– Crítica
– Sistema sexo/gênero e patriarcado.
– Sexualidade: a heterossexualidade e o lesbianismo.
– Crítica.
– Anarcofeminismo.
– Ecofeminismo.
– Feminismo socialista.
– Estratégia do feminismo socialista para a libertação da mulher.
– Crítica.
– O feminismo e o pós-modernismo.
– Resumo.

Feminismo liberal

O feminismo liberal desfrutou de uma longa história nos séculos XVIII e XIX com pensadoras como Mary Wollstonecraft (1759-1797), Harriet Taylor Mill (1807-1858), Elisabeth CadyStanton (1815-1902), argumentando a favor dos direitos da mulher na base da compreensão filosófica liberal. O movimento pela igualdade de direitos para mulheres, especialmente a luta pelo direito ao voto, se baseou principalmente no pensamento liberal.
Os primeiros filósofos políticos liberais, como John Locke e Jean Jacques Rousseau, que haviam defendido a regra da razão, a igualdade para todos, não incluíram as mulheres em sua compreensão de merecedores de igualdade, em particular de igualdade política. Não aplicaram sua teoria liberal para a posição da mulher na sociedade. Os valores do liberalismo, incluindo a crença fundamental na importância e na autonomia do indivíduo foram desenvolvido no século XVII.
Isto surgiu com o desenvolvimento do capitalismo na Europa em oposição aos valores patriarcais feudais baseados na desigualdade. Era a filosofia da burguesia em ascenso. Os valores feudais se baseavam na crença da superioridade inerente à elite – em especial os monarcas. Os demais eram objetos, os subordinados. Defendiam a hierarquia, junto à desigualdade de direitos e o poder. Em oposição a estes valores feudais a filosofia liberal desenvolveu a crença na igualdade natural e na liberdade dos seres humanos.  “Defendiam uma estrutura social e política que reconhecesse a igualdade de todas as pessoas e que proporcionasse igualdade de oportunidades. Esta filosofia foi rigorosamente racional e secular e, por sua vez, a potência máxima e o desenvolvimento progressivo do maior período do Iluminismo. Caracterizou-se por um intenso individualismo. Contudo, os famosos filósofos liberais do século XVII, como Rousseau e Locke, não aplicaram os mesmos princípios à família patriarcal e à posição das mulheres nela. Esta foi a inclinação patriarcal residual do liberalismo que se aplicou apenas aos homens no mercado.” – Zillah Eisenstein.

Mary Wollstonecraft pertencia à seção radical da aristocracia intelectual da Inglaterra, que aprovara as revoluções francesa e americana. Escreveu “Justificativa dos Direitos da Mulher”, em 1791, em resposta à interpretação conservadora de Edmund Burke do significado da Revolução Francesa. No folheto, se manifestou contra as noções patriarcais feudais sobre a dependência natural das mulheres em relação aos homens, que as mulheres foram criadas para agradar aos homens, que não puderam ser independentes. Wollstonecraft escreveu-o antes do surgimento dos movimentos de mulheres e seus argumentos se baseiam na lógica e na racionalidade. A análise subjacente de Wollstonecraft são os princípios básicos do Iluminismo: a crença na capacidade humana para a razãoe dentro dos conceitos de liberdade e igualdade que precederam e acompanharam as revoluções americana e francesa. Ela reconheceu a razão como única autoridade e argumentou que a menos que as mulheres fossem encorajadas a desenvolver seu potencial racional e a confiar em seu próprio julgamento, o progresso de toda humanidade seria atrasado. Argumentou sobretudo a favor das mulheres obterem a mesma educação que os homens, para que elas também pudessem assimilar as qualidades do pensamento racional e contar com oportunidades para ganhar e levar uma vida independente. Criticou fortemente as ideias de Rousseau sobre a educação das mulheres.
Segundo ela, os argumentos de Rousseau de que a educação das mulheres deveria ser diferente da dos homens, contribuiu para fazer com que as mulheres fossem personagens mais artificialmente débeis. A lógica de Rousseau foi que as mulheres devem ser educadas de tal maneira a fim de incutir-lhes que a mais alta virtude é a obediência. Seus argumentos refletem as limitações de classe do seu pensamento. Enquanto ela escreveu que as mulheres das classes “comuns” possuíam mais virtude porque trabalhavam e eram em certa medida independentes, ela também acreditava que “as mulheres mais respeitáveis são as mais oprimidas”.
Neste momento, seu livro foi influente inclusive nos Estados Unidos. Harriet Taylor também fez parte dos círculos intelectuais burgueses de Londres e era esposa do conhecido filósofo utilitarista James Stuart Mill. Escreveu “Sobre a emancipação da mulher”, em 1851, em apoio ao movimento de mulheres surgido nos Estados Unidos. Dando fortes argumentos liberais contra os opositores dos direitos da mulher e a favor de que as mulheres tivessem os mesmos direitos que os homens, escreveu: “Negamos o direito de qualquer porção da espécie decidir sobre a outra porção, ou o de um indivíduo sobre o outro, assim como explicamos o que é ou não sua ‘esfera correta’. A esfera adequada para todos os seres humanos é a maior e mais alta que sejam capazes de alcançar…”. Considerando a importância do fato de que ela escrevera: “O mundo é muito jovem e não foi feito mais que começar a desfazer-se da injustiça. Isto é, agora quando se está abolindo a escravidão dos negros, por que não se está fazendo o mesmo com as mulheres?”. De fato, os fundamentos liberais do movimento das mulheres, tal como emergiu no século XIX nos Estados Unidos estão na Declaração de Sêneca Falls (1848). Assim começava a declaração nesta primeira convenção nacional: “Sustentamos estas verdades evidentes: que todos os homens e mulheres são criados iguais, que são dotados por seu Criador de certos direitos inalienáveis; entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade”.
Na segunda fase do movimento de mulheres, em finais de 1960, entre as principais defensoras dos direitos liberais, encontram-se Betty Friedan, BellaAbzzug e Pat Schroeder. Friedan fundou a Organização Nacional de Mulheres (em inglês “NOW”, NationalOrganizationofWomen) em 1966. As feministas liberais surgiram dentre as que estavam trabalhando nos grupos de direitos das mulheres, nas agências governamentais, comissões, etc. Sua preocupação inicial era conseguir modificar as leis que negavam a igualdade das mulheres no âmbito da educação, do emprego, etc. Também fizeram campanha contra convenções sociais que limitavam as oportunidades das mulheres com base no gênero. Mas à medida que estas barreiras legais e educacionais começavam a cair, ficou evidente que a estratégia liberal de mudar as leis dentro do sistema existente não era suficiente para lograr a justiça e a liberdade para as mulheres. Assim, elas mudaram sua ênfase para a luta pela igualdade de condições em vez de limitarem-se à igualdade de oportunidades.
Isto significava a exigência de que o Estado desempenhasse um papel mais ativo na criação das condições nas quais as mulheres, em realidade, pudessem aproveitar as oportunidades. As demandas por assistência aos filhos, bem-estar, saúde, do seguro-desemprego, políticas especiais para mães solteiras, etc, foram retomadas pelas feministas liberais. A luta pela Emenda dos Direitos de Igualdade (“ERA”, Equal Rights Amendments) também foi conduzida por estas feministas. O trabalho da seção liberal entre as feministas se deu através de organizações a nível nacional, e assim, também tiveram voz nos meios de comunicação. Uma fração entre as feministas liberais como Zillah Eisenstein, argumentou que o liberalismo tem potencial como ideologia libertadora porque as mulheres que trabalham podem, através de suas experiências de vida, ver a contradição entre a democracia liberal e a ideologia liberal, e ver o patriarcado capitalista que lhes nega a igualdade prometida pela ideologia. Mas o liberalismo não era a ideologia influente dentro do movimento nesta fase.

Crítica ao feminismo liberal

O liberalismo, como filosofia, surgiu no seio da sociedade feudal ocidental, quando a burguesia estava lutando para chegar ao poder. Consequentemente, incluía o ataque aos valores feudais, divinamente ordenados, e à hierarquia (a desigualdade social). Se pôs de pé para a razão e a igualdade de direitos para todos os indivíduos. Porém, esta filosofia se baseia no individualismo extremo em lugar do esforço coletivo. Portanto, promove o enfoque de que se a igualdade formal e legal foi dada a todos, logo os indivíduos podem tomar vantagem das oportunidades disponíveis para ter sucesso na vida.
A questão da contradição de classes e o efeito das diferenças de classes sobre as oportunidades disponíveis para as pessoas não foram levados em consideração. Inicialmente, o liberalismo desempenhou um papel progressista na ruptura das instituições sociais e políticas feudais. Mas no século XIX, depois do crescimento da classe trabalhadora e de seus movimentos, as limitações do pensamento liberal passaram a primeiro plano. Para a burguesia que havia chegado ao poder, os direitos que professavam não se estendiam aos pobres e outros setores oprimidos (como as mulheres e os negros nos Estados Unidos). Estes tiveram que lutar por seus direitos. O movimento de mulheres e o movimento negro, nesta fase, foram capazes de exigir seus direitos utilizando argumentos liberais. As mulheres da classe burguesa estavam na vanguarda deste movimento e não estenderam a questão dos direitos às classes trabalhadoras, incluindo as mulheres da classe trabalhadora.
Mas à medida que surgiam as ideologias da classe trabalhadora, as diversas tendências do socialismo encontraram apoio entre as seções ativas da classe trabalhadora. Começaram a questionar o sistema socioeconômico e político, muito burguês, e as limitações da ideologia liberal, com sua ênfase na igualdade formal e na liberdade individual. Nesta fase, o liberalismo perdeu seu papel progressista, e vemos que as organizações das principais mulheres, na luta pelo sufrágio tanto nos EUA como na Inglaterra, tinham um objetivo muito estreito, e se converteram em pró-imperialismo e anti-trabalhadores. Na presente fase, as feministas liberais tiveram que ir mais além dos estreitos confins da igualdade formal, à campanha pelos direitos coletivos como medidas positivas de bem-estar para as mães solteiras, prisioneiras, etc, e exigir um Estado de Bem-Estar.
O liberalismo possui as seguintes deficiências:
  1. Centra-se nos direitos individuais no lugar dos direitos coletivos.
  2. É ahistórico. Não possui uma compreensão global do papel da mulher na história, nem uma análise da subordinação das mulheres.
  3. Tende a ser mecânico em seu apoio à igualdade formal sem um entendimento concreto da condição das diferentes classes sociais das mulheres e seus problemas específicos. Portanto, era capaz de expressar as demandas das classes médias (mulheres brancas das classes média e alta dos EUA, mulheres de casta alta na Índia), mas não das mulheres dos diversos grupos étnicos oprimidos, classes e castas trabalhadoras.
  4. Se limita às mudanças nas leis, nas oportunidades de educação e emprego, nas medidas de bem-estar, etc, e não questiona as estruturas econômicas e políticas da sociedade que dão lugar à discriminação patriarcal. Portanto, é reformista em sua orientação, tanto na teoria como na prática.
  5. Considera que o Estado é neutro e que pode intervir a favor das mulheres, quando na realidade, o Estado burguês nos países capitalistas e no Estado semicolonial e semifeudal indiano [e nos demais estados sob esta condição], é patriarcal e não apóia a luta das mulheres pela emancipação. O Estado burguês é a defesa dos interesses das classes dominantes que se beneficiam da subordinação e da posição desvalorizada da mulher.
  6. Dado que se centra nas mudanças na lei e nos esquemas estatais, dá ênfase ao lobby e às petições para alcançar suas demandas. A tendência liberal frequentemente tem restringido sua atividade às reuniões, convenções e petições de mobilização por mudanças. Raras vezes mobilizou as massas de mulheres e, de fato, teme a mobilização combativa com grandes quantidades de mulheres pobres.

miércoles, 20 de junio de 2018

INDIA: Nuevas acciones de la guerra popular.



correovermello-noticias
New Delhi, 20.06.18
Medios de la prensa india informan de varias acciones protagonizadas por el maoísta Ejercito Guerrillero Popular de Liberación.
En el distrito de Kanker, de Chhattisgarh, en un bosque cercano a aldea Tamora se produjo un ataque a unidades de la Guardia de Reserva del Distrito (DRG) en la madrugada del 18 al 19 de junio. Dos miembros de las fuerzas represivas resultaron gravemente heridos. No se reportan bajas entre los combatientes rojos.
En otra acción, los combatientes del EGPL incendiaron cinco vehículos de construcción, incluidos un camión, un camión cisterna de agua y tres máquinas de mezcla de concreto en la aldea de Cherpal, en el distrito de Bijapur, el 19 de junio. Estos vehículos de construcción participaron en la construcción de una carretera desde Bijapur y Gangaloor.
Así mismo, se informa de la explosión de tres bombas en las cercanías de un paradero de autobuses de Kadirganj, Bihar. No se reportan daños personales pero si materiales. Fuentes de los cuerpos represivos informan de la aparición de carteles maoístas reivindicando la acción.
Se informa de la ejecución de un soplón policial en la aldea de Madwa, distrito Giridih. por un comando de aniquilación del EGPL. El informante un individuo de 30 años se dedicaba a la venta ambulante de zapatos. Junto a su cadáver aparecieron carteles maoístas que advertían que serian implacables con los que colaboraran con las fuerzas represivas. 

PERÚ: Viejo Estado vende-patria vende montaña Vinicunca a minera canadiense.

Montaña de siete colores en Cusco fue concesionada a minera canadiense


correovermello-noticias
Lima, 20.06.18
La prensa de la capital informa que la conocida  "Montaña de los siete colores o arco-iris", de Cusco, a sido vendida una empresa multinacional minera canadiense el pasado marzo.
Este nuevo expolio al patrimonio nacional fue concedido con fines mineros por el vende-patrias  Instituto Geológico, Minero y Metalúrgico (Ingemmet) a la minera Minquest Perú, empresa pantalla  de la multinacional canadiense  Camino Minerals.
El cerro Vinicunca se encuentra en el camino al Ausangate, la montaña sagrada de Cusco, antigua capital del imperio incaico, y centro del Qoyllurit'i, la mayor peregrinación religiosa, reconocida desde 2011 como patrimonio cultural inmaterial de la humanidad por la Unesco.
Vinicunca se ha convertido en los últimos años en una de las principales atracciones turísticas de Cusco junto a las ruinas de la ciudadela inca de Machu Picchu, los andenes incas de Moray, el salar de Maras y el centro antiguo de su capital.
La montaña, situada a unos 5.200 metros de altitud sobre el nivel del mar en la cordillera de Vilcanota, debe el contraste de sus llamativos colores en franjas turquesas, doradas y fucsias, entre otros, por la oxidación de la alta concentración de metales que contiene.

(Con datos de la agencia EFE)

BRASIL: Dia da heroicidade — Relembrando um encontro com os bravos combatentes

Publicamos a seguir, como homenagem aos combatentes das luminosas trincheiras de combate no Peru, o artigo da jornalista Rosana Bond publicado no Jornal A Nova Democracia em setembro de 2006. Disponível também em: <http://anovademocracia.com.br/no-31/428-dia-da-heroicidade-relembrando-um-encontro-com-os-bravos-combatentes> Acesso em: 19 de jun. 2018. MFP

Dia da heroicidade — Relembrando um encontro com os bravos combatentes

Rosana Bond
A Nova Democracia - Ano V. nº 31, setembro de 2006

No dia 19 de junho de 1986, o governo peruano, comandado pelo então gerente Alan García, efetuou uma perversa operação de extermínio dos prisioneiros de guerra, pertencentes ao Partido Comunista do Peru.
Mobilizando exército, marinha, força aérea e polícia, o governo consumou um dos mais infames genocídios da história da América Latina. Passados 20 anos de total impunidade e com a reeleição de Garcia à presidência do Peru, é preciso relembrar essa data, marcada como o Dia da Heroicidade.

E o fazemos rememorando um encontro que tivemos com os bravos combatentes do PCP, um ano antes de seu assassinato, numa viagem feita ao tenebroso presídio da ilha do Frontón, no Pacífico.
Tal relato é um resumo do que publicamos no livro Peru: do império dos incas ao império da cocaína.
O PCP, a quem a reação chama apenas de Sendero Luminoso para ocultar o nome e o caráter do Partido, iniciou a Guerra Popular — considerada por ele como a estratégia mais avançada do proletariado -, em 1980. A ação de 17 de maio foi consagrada como a data que marca o início da Guerra Popular Prolongada que, até 1989, realizou 60 mil ações.
Alan García assumiu o governo em 1985 com um discurso de combater os guerrilheiros "sem violar os direitos humanos". No entanto, a perversidade com que conduziu sua política logo trataria de desmascará-lo.
Nos dias 18 e 19 de junho de 1986 estourou o maior escândalo da gerência de García no que toca à violência: o assassinato de cerca de 300 prisioneiros de guerra e membros do Partido Comunista do Peru, nos presídios de Lurigancho, Callao e na ilha de Frontón.
O ataque foi considerado o fato mais sangrento da história carcerária do país, comparável ao de Atica, no USA. Definido até pela imprensa monopolista, a exemplo do New York Times, como um "horrível e premeditado assassinato de prisioneiros políticos".
Efetivamente, desde o início de junho o Partido Comunista do Peru divulgava notas denunciando um plano de extermínio1. Os prisioneiros de guerra estavam em campanha contra sua transferência ao novo cárcere de Canto Grande, visto por eles como o mais terrível campo de concentração.
No dia 18 de junho, os prisioneiros apresentaram um documento com 26 solicitações reconhecidas, mais tarde, como "justas" por um grupo de investigação, presidido pelo prêmio Nobel Adolfo Perez Esquivel. Porém o governo negou qualquer negociação. Às 11 da manhã do dia 19, Alan García autorizou a entrada de assassinos de elite nas prisões. Começava a Operação Selvagem e, com ela, 96 horas de horror, enquanto que os combatentes do Exército Guerrilheiro Popular, totalmente desarmados, enfrentaram bravamente o inimigo.
A Marinha invadiu El Frontón às 4 e meia da tarde. Explosões estremeceram a ilha. O ataque por mar, terra e ar causou a morte da maioria dos prisioneiros, sendo que 70 sobreviveram. Mais tarde, somente 30 apareceram vivos.
A Associação dos Advogados Democráticos denunciou que dos 70 sobreviventes, vários tinham sido levados à base da Marinha, na ilha de San Lorenzo, e em seguida torturados e assassinados. Outros sobreviventes foram fuzilados no própio Frontón. Em Santa Bárbara, prisão feminina, a violência não foi menor, com várias presidiárias assassinadas e feridas.
Em 1986, uma Resolução de agosto, que concluia dizendo Glória aos heróis caídos, proclamava o 19 de junho como o Dia de la heroicidad, reconhecido por vários partidos em todos os continentes.

Dedos-duros por aqui...

Seus nomes não eram Pedro e José. Não sei como se chamavam e provavelmente jamais saberei. Com nitidez lembro apenas do susto que levei no dia 19 de junho de 1986, quando um funcionário da Folha de Londrina aproximou-se de minha mesa, na redação do jornal, e entregou uma telex que acabara de vir de uma agência de notícias:
Olha aí, Rosana, a coisa está feia no Peru. Os soldados destruíram prisões e mataram um monte de presos! Aqui falam de uma ilha... Não foi lá que você esteve entrevistando aqueles caras, ano passado?
Corri para o setor fotográfico. Queria ver as fotos chegadas de Lima, como se fosse possível identificar algum sobrevivente no meio dos escombros. Cheguei a consultar, depois, as listas de mortos. Bobagem. Porque Pedro e José foram nomes inventados por mim. Não existiam.
O que existiu mesmo foi uma história inacreditável. Estava de férias no Peru e algumas pessoas, sabendo que eu era jornalista, contataram-me. Perguntaram se aceitaria "correr o risco" de ir até o Frontón, no Pacífico, onde estavam detidos centenas de homens acusados de serem do Partido Comunista. Não havia tempo para relutar. Concordei.
Bem cedo, na manhã de 20 de abril de 1985, cheguei ao cais do porto de Callao, próximo a Lima. Tudo estava planejado. Restava, porém, o mais importante: saber se os policiais me deixariam entrar na ilha.

Em 1986, uma Resolução de agosto, que concluia dizendo Glória aos heróis caídos,
proclamava o 19 de junho como o “Dia de la heroicidad”,
reconhecido por vários partidos em todos os continentes

Naquele dia os prisioneiros receberiam a visita de mulheres e crianças. Havia umas 100 dessas familiares no cais. Uma delas aproximou-se e sussurou:
Não converse com ninguém, não podem saber que você é jornalista. Não é seguro, há muitos dedos-duros por aqui...
Avisou-me que caso necessário eu seria apresentada aos policiais, na ilha, como a "parente brasileira" de uns certos irmãos Suárez.

Súbito El Frontón!

O primeiro grupo, com umas 60 pessoas, inclusive eu, foi amontoado numa lancha. Íamos todas dividindo espaço com sacolas, pacotes, bolsas, trouxas, tonéis com água e querosene. O resto das parentes iria num outro barco.
O nosso partiu primeiro. Logo ficamos sós no oceano. Começaram as primeiras ondas. Grandes, enormes. Quando estávamos navegando há uns 40 minutos, surgiu uma silhueta. Era a ilha de San Lorenzo, a maior base da Marinha de guerra peruana. Quinze ou 20 minutos mais tarde uma faixa de terra desenhou-se diante de nós. As pessoas no barco se agitaram, conversaram entre si, apontaram. Era o Frontón!
À medida em que nos aproximávamos víamos um quadro fantástico, inverossímil. No topo de um pavilhão, à direita da ilha, tremulava soberana uma imensa bandeira vermelha com a foice e o martelo. Abaixo dela, na parede do prédio, uma pixação enorme e definitiva: "A rebelião se justifica!"
Como formigas, centenas de homens se espalhavam por lá, saudando-nos à distância com os braços erguidos. Alguns empunhavam bandeiras vermelhas, que balançavam de um lado a outro, bem lentamente. Sem importarem-se com a presença de policiais na lancha, de repente as familiares começaram a cantar. Um canto solene, sentido, poderoso:
Gonzalo las masas rugen
y los Andes se estremecen
expresan pasión ardiente
fé segura y acerada
Y el pueblo escucha atento
Acelera su jornada
Que es Gonzalo canto al fuego!
Gonzalo es lucha armada!
Algumas mulheres choravam. Aquilo era muito forte...
Finalmente a embarcação atracou. Os guardas nos puxaram para cima, pelos braços, como se fôssemos trastes. Fomos colocadas em fila. No final do rústico trapiche, dois soldados recolheram nossos documentos pessoais. Entreguei minha identidade e caminhei a uma outra fila à direita, em frente à uma construção de madeira em forma de "U", a qual presumi ser a administração do presídio.
Demoramos um pouco na revista, feita por policiais femininas. Uma delas pareceu desconfiar — realmente, eu era bem diferente do tipo peruano comum — e indagou quem era o parente que eu iria visitar. Por um instante senti um frio na barriga, mas consegui me controlar: "Los hermanos Suárez..."
Ela continuou me olhando e ia perguntar mais alguma coisa, mas as senhoras perspicazmente reclamaram da demora e a guarda desistiu.
Vamos, companheira, rápido! — me pediu uma das familiares, enquanto percorríamos os cerca de 40 metros de areia que nos separavam de uma muralha à direita. Aquele muro alto demarcava a área destinada aos prisioneiros.
Bom dia, companheira
O portão do muro estava aberto. Quando o atravessei não acreditei! Centenas de guerrilheiros postados frente à frente, formando um corredor, nos receberam batendo palmas, sorrindo, agitando suas bandeiras vermelhas.
Bom dia, companheira! — me disse um.
Seja benvinda! — saudou-me outro, mais adiante.
Enquanto os detidos abraçavam-se com suas parentes, fui apresentada a um jovem. Eu e o rapaz passamos ao lado da construção branca que havia visto do mar. Ele informou que o prédio, embora branco, se chamava Pavilhão Azul. Achei engraçado.
A seguir contornamos uma torre de pedra (uma guarita desativada) e descemos uma ribanceira em direção ao mar. Naquele barranco os guerrilheiros haviam construído degraus, patamares feitos de pedregulhos, formando uma arquibancada. Nos dias de visita os assentos eram protegidos com lençóis e colchas, como se fossem toldos. Na parte mais baixa e plana, ao nível da praia, os presos tinham feito uma espécie de palco: uma mureta semicircular, com cerca de 40 centímetros de altura, recheada com terra e areia bem socadas.
Sentamos num dos degraus do barranco, respirando a maresia espessa. O rapaz quis saber o nome do jornal onde eu trabalhava, qual a linha editorial, etc. Ou seja, tudo aquilo que já tinha cansado de responder nos dias que antecederam a ida à ilha. Quando ele terminou, senti que finalmente podia indagar sobre a guerra popular.
Estamos seguros que a guerra popular é a única alternativa correta para o Peru — afirmou.
Prosseguiu decidido:
Carregamos conosco a certeza de que nossa luta é justa e será vencedora porque estamos amparados pelo Pensamento Guia do Presidente Gonzalo2, do camarada Mao Tsetung e do marxismo-leninismo.
E concluiu seguro do que dizia:
Somos o farol que guia a revolução mundial. E estamos vencendo. O regime peruano, podre e burocrático, está se vendo obrigado a revelar sua verdadeira cara nesta guerra. Estão matando pessoas incontrolavelmente porque já não conseguem conter o ímpeto do povo em armas.

Luminosa trincheira


Prisioneiros, membros do PCP, rebelados na ilha de Fronton
Logo fomos interrompidos pela chegada de dois outros prisioneiros. Um deles tinha cabelos negros e usava um boné azul. O outro era branco e loiro. Objetivo e brusco, perguntou:
Como podemos ter certeza de que você é realmente jornalista?
Irritada, informei que ali estavam mulheres que haviam visto minhas credenciais e sugeri que fosse resolver suas dúvidas com elas.
Efetivamente foi. Mas logo regressou. Trazia com ele dois guerrilheiros. Agora gentil e solícito, afirmou que tudo já estava esclarecido. Pediu-me desculpas e disse que ele próprio e todos os seus camaradas estavam muito contentes com minha presença. Inclusive informou-me que eu era a primeira repórter da América a ser aceita por eles na ilha. Soube, posteriormente, que uns três repórteres europeus tinham estado lá.
Informou que dois dos seus, que trouxe com ele, estavam à disposição, a partir daquele momento, para todas as perguntas que eu desejasse fazer. Foi então que conheci Pedro e José. Eles me fizeram companhia o resto do dia.
José tinha uns 18 anos, mas parecia mais novo. Pedro aparentava ter 30 anos. Caminhamos até umas pedras, à beira do mar. Ali, observando o oceano, conversamos sobre muitas coisas. Guerra, música, genocídio, poesia, dinamite. José, a meu pedido, cantou alguns hinos revolucionários. Pedro ensinou-me algo do huayno da sua terra, um ritmo tradicional dos Andes, que envolve música e dança.
Na hora do almoço, fomos os três para a arquibancada, onde uma família, muito amável, nos serviu panquecas, arroz, batatas e frango. Outros prisioneiros vieram comer perto de nós. Comentei que sentados ali na frente do mar, com as famílias conversando animadas, as crianças brincando, podíamos passar por alegres veranistas. Todo mundo riu.
A gente mesmo já apelidou isso aqui de "Balneário Apolônia! (Pelo que consegui entender, em meio às gargalhadas, Apolônia era um reduto da burguesia peruana no verão).
De vez em quando conseguimos pescar e promover torneios de voleibol, natação, música, dança e declamação — contou um dos presos.
Hoje, passados 20 anos do genocídio, ainda é triste lembrar daquelas pessoas. A aparente tranquilidade que vi naquele dia escondia, atrás de si, histórias dramáticas.
Conseguimos transformar esse campo de concentração em uma luminosa trincheira de combate — sentenciou José.
Todos concordaram. Alguém contou que nos primeiros tempos, quando os guerrilheiros foram trancafiados na ilha, os guardas colocavam vidro moído na comida, pedaços de ratos apareciam boiando na sopa, a água era misturada com querosene. Com muita luta, acabaram com aquilo.
A conversa se anima. Outros presos aproximam-se. Um deles começa a falar do cerco às cidades a partir do campo; outro da vitória que chegará um dia; da repressão do governo que já somava milhares de mortos e desaparecidos; outro das tropas paramilitares formadas pelo Exército para combater a guerrilha.

Trabalhar, estudar

De repente chegou o homem de boné azul, o mesmo que tinha aparecido antes com o loiro.
Sorriu com simpatia, sentou-se e começou a explicar que todo aquele ambiente positivo, tanto no que tocava ao moral dos muchachos quanto ao aspecto visual do lugar que nos rodeava, foi resultado de um paciente trabalho coletivo executado contra a vontade dos guardas:
Este lugar onde estamos, por exemplo, era um terreno imprestável, tomado por pedras, lixo, aranhas, baratas e ratos. Usando apenas nossas mãos removemos uma tonelada de detritos para construir isso aqui.
Para a convivência do dia-a-dia, esclareceu, eles mesmos dividiram os presos em destacamentos de cinco pessoas. Cada grupo tinha um chefe temporário que organizava as tarefas. Todos se revezavam para cozinhar, fazer a limpeza, lavar roupas, dar aulas, etc.
Conseguimos transformar esse campo de concentração em uma luminosa trincheira de combate"
sentenciou José
Com medicamentos trazidos pelos familiares, eles instalaram uma pequena farmácia, inclusive com atendimento médico. Através de doações também obtidas por seus parentes, implantaram uma biblioteca com uns 400 volumes — onde se encontrava desde as obras do Presidente Mao e outros pensadores marxistas-leninistas, até livros de biologia, matemática, geografia e espanhol3.
Igualmente com matéria-prima proporcionada pelas famílias e amigos, mantinham uma oficina que produzia artesanatos em pedra e palha — que depois eram vendidos ou presenteados, mas que principalmente serviam para a prática de habilidades manuais. Criaram além disso uma escola, onde os professores eram os próprios presos. Nela não somente se alfabetizava , mas também se ministrava conhecimentos de álgebra, anatomia, história. E teoria política, claro.
No entanto, o que mais me impressionou foi o trabalho de copismo que executavam. Como não possuíam máquinas de escrever e mimeógrafo, encontraram um outro jeito de elaborar edições de documentos políticos do Partido, peças de teatro, poesias, canções, textos para discussões internas. Tudo era copiado à mão. Com paciência chinesa e capricho de monges, "fabricavam" livros.
De repente, ouvi uma canção andina. Pensei que tinham ligado um rádio. Mas não.
Vamos lá, companheira, os muchachos estão tocando — me disseram. Uns 20 guerrilheiros armados com zampoñas velhas, violões com cordas faltando, charanguitos remendados e um bombo leguero com o couro meio frouxo, agora ocupavam o palco à beira-mar.
Sabes dançar a lo peruano ? — alguém me perguntou.
Eu?! Muito mal, samba.
Então a coisa virou uma folia. Diversas pessoas foram dançar no palco para que eu aprendesse. Outras cantavam junto e batiam palmas. Animado com a bagunça, o mascote dos prisioneiros, o cachorrinho vira-lata Puka (Vermelho, na língua quêchua) latia e abanava o rabo. Alguém me puxou e me colocou no palco com todo mundo. Não me saí muito mal, mas não conseguia parar de rir. Nem eles.

Um tesouro e um chapéu

No meio da tarde, Pedro e José me convidaram para conhecer o alojamento dos presos, o tal Pavilhão Azul, que era branco. Talvez com uns 10 m X por 30 m, tinha dois andares. Na parte externa, a imensa bandeira vermelha que eu vira do mar continuava hasteada. E a pixação na parede, impossível de ser ignorada: "La rebelión se justifica!".
Entramos. No térreo, à direita, estavam os "sanitários": não passavam de buracos no chão que serviam como latrinas e dois canos de metal na parede, eternamente secos, que um dia teriam sido chuveiros.
A seguir vinha um grande salão, sem celas. O aspecto do conjunto, banheiro e salão, era miserável. Mas tudo mantido imaculadamente limpo pelos presos. No salão uma sequência de beliches, nos dois lados, formava um corredor no meio. No outro extremo, demos de cara com uma parede onde estavam fotografias de Marx, Lênin e Mao. Abaixo delas havia uma mesa, usada pelos prisoneiros para realizarem suas assembléias e darem aulas. No andar superior, igualmente havia duas filas de camas. Ali também funciona-vam a cozinha, a biblioteca, a enfermaria e a oficina de artesanato.
Ao deixarmos o pavilhão, ouvimos o canto de uma mulher índia. O som saía de dentro da torre que um dia servira como sentinela. Era um lamento cantado em quêchua. Ela dizia que seu marido estava desaparecido desde 1983. Que desde aquela época andava lhe procurando e que nem ali na ilha conseguira encontrá-lo.

Criaram além disso uma escola, onde os professores eram os
próprios presos. Nela não somente se alfabetizava , mas também
se ministrava conhecimentos de álgebra, anatomia, história.
E teoria política, claro

Entramos na guarita. No quadrado apertado, úmido, com grossas paredes de pedra tomadas por musgos, havia pouquíssima luz. No chão de terra batida bailavam algumas mulheres e homens. Era uma dança triste, dolorosa. As cabeças baixas, concentradas na voz da mulher que narrava a sua tragédia.
Fiquei num cantinho, perto da entrada. Mas minha presença logo foi percebida. E então rapidamente o clima mudou. Uma quena (flauta) começou a tocar uma musiquinha brejeira. Formaram um círculo, deram-se as mãos e timidamente me convidaram a participar. Todos os guerrilheiros que estavam ali dentro na torre eram indígenas dos Andes. E, seguramente, camponeses. Mãos calosas tomaram as minhas e, com doçura, me ensinaram os passos. Poucas vezes na vida me senti mais feliz. Passava das 5 horas quando vi um movimento no pátio e notei que era hora de partir. José saiu correndo e logo voltava carregando uma pilha de papéis, todos manuscritos.
O que é isso? — indaguei.
Nossos poemas e canções. E as respostas às perguntas que não lhe respondemos... — disse, com um sorriso travesso.
Folheei o material e levei um susto! Ali estava um tesouro para qualquer jornalista: um relato detalhado de como o Partido preparou e realizou um dos seus ataques, informes de reuniões internas, todos documentos jamais divulgados pela imprensa peruana ou brasileira.
Para minha segurança, Pedro não deixou que eu colocasse os papéis na bolsa. Os textos foram distribuídos nas sacolas das mulheres, enquanto víamos, ao longe, os soldados preparando as lanchas no trapiche.
A despedida foi muito triste. Recebi abraços de guerrilheiros com os quais sequer havia falado. Deram-me um chapéu de palha feito na oficina deles, onde estava escrito à caneta na aba interna: "Com muito carinho comunista, os melhores filhos da classe te fazemos chegar este presente".
Partimos. Logo que as lanchas cruzaram as primeiras ondas, na ilha apareceram de novo as bandeiras vermelhas e as centenas de punhos erguidos. Pouco depois o dourado do fim do dia foi tragado pela neblina, pela noite e pelo frio. Demoramos para encontrar o cais de Callao. É que o porto e a cidade estavam totalmente no escuro. O PCP, mais uma vez, tinha acabado de explodir as torres de energia elétrica...

1 Em 4 de outubro do ano anterior já havia ocorrido o massacre de 30 prisioneiros de guerra no Penal de Luringancho. O novo genocídio era denunciado pelo Partido Comunista do Peru, enquanto que a falsa esquerda (as legal e ilegal) não só se omitia em protestar, mas fazia coro com a reação acusando o PCP de ser uma organização "narco-guerrilheira". Ao contrário, o PCP sempre combateu o tráfico. Mas a dupla Fujimori-Montesinos, administração que sucedeu a Alan Garcia, era reconhecidamente ligada ao grande tráfico, fato que se somava a outros grandes crimes — como o de traição à pátria -, mas suas prisões não respondem por isso.
Ainda sobre a colaboração com o fascismo: na época do morticínio havia duzentos militares ianques como assessores do exército peruano, somente na zona do Alto Huallaga. O social-imperialismo russo colaborava com a repressão mantendo quatrocentos assessores nas Forças Aéreas. Esse mesmo governo peruano contou, entre outros, com o apoio da Coréia do Norte (!), da antiga República Federal Alemã e de Miterrand no negócio de armas.
2 Presidente Gonzalo, nome adotado pelo Partido Comunista del Perú para o Doutor Abimael Guzmán (nascido a 3 de dezembro de 1934), seu principal dirigente e chefe da revolução naquele país. A prisão do Presidente Gonzalo aconteceu em setembro de 1992. Desde então, os tribunais contra-revolucionários adiam seu julgamento, e as suas verdadeiras afirmações jamais foram concretamente atestadas.
3 Muitos dos camponeses do Partido Comunista do Peru aprenderam a ler e escrever dentro dos presídios, através de aulas ministradas pelos seus próprios camaradas.

lunes, 18 de junio de 2018

BRASIL: Artigo do MFP; A crise no país aumenta a violência sobre as mulheres: só a Revolução porá fim a esta violência.

A crise no país aumenta a violência sobre as mulheres: só a Revolução porá fim a esta violência

Artigo publicado no Jornal do MFP - março de 2018


Manifestação durante o 8º Congresso da LCP do Norte de Minas e Sul da Bahia, em Januária (out/2015)
Os índices de violência contra as mulheres no Brasil vêm aumentando ano após ano e ultrapassaram os 5 milhões de mulheres agredidas fisicamente no ano de 2017 (segundo estatísticas oficiais). Mas há investigações que estimam que em um ano o número de mulheres agredidas fisicamente possa chegar à cifra de 19 milhões. No ano de 2015 aconteceram 1 estupro a cada 11 minutos e estes foram somente os dados registrados. Estima-se que estes sejam apenas 10% do total dos casos que realmente acontecem. Ou seja, o Brasil pode ter a taxa de quase meio milhão de estupros de mulheres a cada ano. Além disso, nosso país ocupa a marca de 5° lugar entre os países com maior taxa de feminicídio.
Toda esta horrenda realidade é produto da sociedade dividida em classes baseada na exploração e opressão do ser humano, e é reproduzida por todos os meios pelo capitalismo de modo geral e particularmente pelo capitalismo burocrático vigente em nosso país, no qual impera um sistema de exploração e opressão semicolonial/semifeudal.
Esta brutal realidade cresce exponencialmente com crise geral deste sistema. As instituições de seu velho Estado de grandes burgueses e latifundiários serviçais do imperialismo, principalmente ianque, e em especial os monopólios de comunicação e imprensa promovem a propaganda duma falsa promoção e liberdade das mulheres e jovens com a fantasiosa ideia de um ilusório “empoderamento feminino” (discurso da ONU). O mesmo repetem os partidos oportunistas fazendo coro com a reação. Por todos os meios de difusão e propaganda do lixo ideológico e cultural da burguesia, com a rede globo na vanguarda, justificam e fazem a apologia de comportamentos sexuais supostamente liberados, adornados pelos discursos de liberdade e “diversidade. No último carnaval, por todo o país, a rede globo hipocritamente liderou os grupos do feminismo burguês e pequeno-burguês na campanha em que distribuiu para as mulheres foliãs tatuagens temporárias com os dizeres “Não é não!”. Logo a Rede Globo, a principal promotora da utilização da mulher como objeto sexual e de várias formas de prostituição em suas novelas e programas como Big Brother.
Mas o que fazem é traficar com as justas demandas das mulheres do povo. Seu combate à violência contra a mulher é só uma manipulação das massas, que joga as mulheres contra os homens para dividi-las e desviá-las do caminho da luta contra este sistema de exploração e opressão, que é a base de manutenção e reprodução do patriarcado e de todos os prejuízos para as mulheres que dele decorre.

O feminismo burguês e pequeno-burguês servem às classes dominantes

O feminismo burguês e pequeno-burguês, em sua repetição dessa propaganda, dá todo apoio à política deste velho Estado nas campanhas pelo “empoderamento feminino” e difunde a ilusão de que suas leis populistas, como a “Lei Maria da Penha”, como são todas as leis punitivas no capitalismo, elas se voltam contra as massas. E este Estado não cumpre as medidas “protetivas” prevista em tal lei. E o próprio tratamento desprezível que suas autoridades policiais dispensam aos casos de violência contra mulheres deixa patente o vínculo existente entre a opressão da mulher e a dominação de classe.
O feminismo burguês e pequeno-burguês é um instrumento importante a serviço da política de dominação das classes exploradoras do nosso país ao diluir as diferenças e a contradição antagônica de classes, que separam por um abismo as mulheres trabalhadoras exploradas da minoria de mulheres das classes proprietárias exploradoras.
Advogando que a luta é de todas as mulheres contra os homens e a falácia de que a opressão da mulher pode ser suprimida nos marcos desta sociedade capitalista, tais movimentos servem de suporte ideológico e político à velha ordem de exploração e manutenção do patriarcado que dizem combater. É assim que servem a desviar as mulheres do povo da única via que pode conduzir à sua verdadeira emancipação, a luta revolucionária de sua classe pelo Poder.  O revolucionário peruano José Carlos Mariátegui definiu de maneira magistral a diferença de classes entre as mulheres, contrapondo-se a falsa tese idealista da “luta de gênero”, da “união de todas as mulheres”, afirmando: “as mulheres, como os homens, são reacionárias, centristas ou revolucionárias. Não podem, portanto, combater juntas a mesma batalha. No atual panorama humano a classe diferencia os indivíduos mais do que o sexo”.
Os movimentos feministas burgueses e pequeno-burgueses e suas reivindicações não fazem mais que somente arranhar a superfície do problema da opressão feminina ao se oporem à verdade de que suas reais causas e raízes são a propriedade privada e suas decorrentes relações de exploração do homem pelo homem. Apontam o patriarcado como sua causa original e se negam a ver que este é tão somente resultante da propriedade privada e da sociedade de classes.
Historicamente os sistemas de exploração e opressão relegaram as mulheres do povo às funções mais secundárias na sociedade, a de meras reprodutoras exaltando-as como rainhas do lar para que se resignassem à condição da escravidão doméstica. Tudo para reduzir ao máximo sua prática social e assim aplastar sua participação na luta de classe. Com o advento do capitalismo não foi diferente, nele cabe às mulheres do povo a extenuante tarefa do trabalho doméstico, trabalho invisível e embrutecedor que garante a reprodução da força de trabalho para as classes exploradoras na forma de trabalho gratuito: as mulheres lavam, passam, cozinham, cuidam dos doentes, das crianças e idosos. Com isto os salários podem ser mantidos em níveis baixíssimos, o patrão não precisa desembolsar nada para garantir seu empregado alimentado e vestido. Ele explora a classe de duas formas: na fábrica, com pouca paga, e no lar, com o trabalho não pago da mulher. Quando são inseridas na produção social é para aumentar a exploração da classe impondo à elas uma dupla jornada. Hoje no Brasil as mulheres são maioria em muitas funções e profissões e de modo geral a metade das massas empregadas nas unidades de produção e serviço, na cidade e no campo. Ademais de que ainda é imensa a quantidade de mulheres presentes na chamada economia informal e das que só trabalham nas funções domésticas, como empregadas ou donas de casa.
Mas com o capitalismo as mulheres foram ingressadas crescentemente na produção social como forma do capitalista aumentar a exploração da classe. Esta situação ampliou a prática social de crescente número de mulheres. Ainda que este ingresso das mulheres na produção fez recair sobre elas a dupla jornada, potenciou sua participação na luta de classes. Para frear o crescimento da participação das mulheres na luta de classes, os regimes de exploração lançam mão da propaganda da promoção e valorização da mulher e nisto o feminismo burguês e pequeno-burguês lhes servem com suas teorias da libertação da mulher nos marcos da sociedade capitalista, tal como o muito em voga “empoderamento feminino”, atiçando as mulheres contra os homens, dividindo a classe em sua luta por direitos e emancipação política. 
Ademais de toda a sorte de prejuízos à condição da mulher, a cultura machista e o embrutecimento resultante da pregação das igrejas que se arvoram em donas do corpo da mulher, impondo um mito absurdo sobre a procriação, condenam as mulheres à obrigação de levar até o fim uma gravidez indesejada. Assim milhões de mulheres em nosso país, pelas circunstâncias da pobreza e do abandono, são obrigadas a fazer clandestinamente o aborto nas piores condições, criminalizado que é a interrupção da gestação, condenadas ou à prisão ou às sérias sequelas em sua saúde física e mental, quando não à morte. É o que provam os estarrecedores números de óbitos, reconhecidos inclusive pelas instituições do velho Estado. Tudo isto demonstra que longe de qualquer ilusório “empoderamento”, o gigantesco contingente de mulheres trabalhadoras não tem sequer o direito de decidir sobre seu próprio corpo e se acham aprisionadas e cercadas por todos os lados e de todas as formas.
Ao contrário, nas classes exploradoras, a mulher compra o alívio da opressão sexual das mãos das mulheres proletárias e camponesas, explorando-as na produção e como babás e empregadas domésticas. Desta forma, as mulheres das classes dominantes são as únicas que podem atingir condição similar à do homem de sua classe nos marcos do sistema capitalista.

A origem da opressão feminina é a propriedade privada e a sociedade de classes.
Só a revolução proletária emancipará as mulheres

A opressão feminina tem origem na propriedade privada e divisão da sociedade em classes antagônicas. Inicialmente, o patriarcado derruba o direito materno em função da propriedade privada, atendendo à necessidade do homem de garantir a herança para seus filhos e revelou-se uma armadilha terrível para as mulheres, já que a elas também interessava a herança para seus filhos. A forma de família patriarcal monogâmica garante essa nova exigência. As novas relações de propriedade, entretanto, fez com que cada vez mais a divisão da sociedade entre homens e mulheres se tornasse secundária em relação a divisão da sociedade em classes sociais.    
A intensidade e os efeitos da opressão sexual, aplicada originalmente sobre o conjunto de mulheres, são relativos à sua condição social, de classe proprietária ou de classe despossuída e explorada. A família individual que se estabelece então é uma unidade econômica fundamental da sociedade de classes. O que com o capitalismo não só se manteve como reforçou-se.
Em razão da origem e causa da opressão feminina ser a propriedade privada e divisão da sociedade de classes e dessa relação ser de exploração e opressão, somente a erradicação completa destes fatores e sua substituição por novas relações de produção baseadas na propriedade coletiva dos meios de produção social e de distribuição da riqueza pode conduzir a emancipação das mulheres ao emancipar politicamente a classe operária e demais massas trabalhadoras. Ou seja, a revolução social do proletariado – composta por homens e mulheres – para o estabelecimento do socialismo em transição para a sociedade sem classes, o comunismo.

No Brasil a emancipação da mulher se dará com a Nova Democracia e o Socialismo

Somente o socialismo, ao destruir a propriedade privada dos meios de produção, pode criar as condições para a erradicação de toda forma de opressão feminina. Primeiro ao integrar as mulheres na produção social, industrializando o trabalho doméstico, criando creches nos bairros e nas unidades de produção, o trabalho coletivo social no cuidado dos idosos, ademais do estabelecimento de igualdade de direitos e de fato para as mulheres, bem como o estímulo e acesso a todos os níveis de educação e funções de direção nas mais diferentes esferas da produção e atividades sociais e culturais. Todas essas transformações elevam como nunca antes a prática social das mulheres e em especial a sua participação na luta de classes.
No socialismo, estarão dadas todas as condições para que as mulheres avancem para sua completa emancipação e para o fim de toda a opressão feminina.
Por isso mesmo o movimento feminino revolucionário não despreza a luta das mulheres por demandas específicas, ao contrário, com base no princípio de unir toda a classe operária e demais massas trabalhadoras da cidade e do campo, liga indissoluvelmente estas demandas ao principal que é a luta política revolucionária pelo Poder proletário, o Socialismo no rumo do Comunismo. No Brasil, como nos demais países dominados pelo imperialismo, o Socialismo será alcançado através da luta pela Nova Democracia, revolução para a qual é necessário despertar a fúria das mulheres trabalhadoras secularmente represada como poderosa e imprescindível força revolucionária.