Nota do blog: Publicamos a seguir uma crítica
revolucionária marxista-leninista-maoista, produzida na frágua da Grande
Revolução Cultural Proletária, contra a literatura revisionista que
florescia na URSS após a restauração capitalista desencadeada mediante
um golpe de Estado por Kruschov (após morte do camarada Stalin, 1953) e
prosseguida por seus sucessores, até culminar na bancarrota do Estado
social-imperialista na década de 90.
Algumas questões acerca da literatura revisionista moderna na União Soviética
Por Hsiang Hung e Wei Ning, 1966
Introdução
Desde a usurpação da liderança do Partido Soviético e do governo, a
camarilha revisionista de Kruchov tem seguido a linha política da
colaboração URSS-EUA para a dominação do mundo na literatura e na arte
como em todas as outras esferas, traindo o princípio de Lenin do
espírito de Partido na literatura, e liquidou os interesses dos povos
revolucionários do mundo, assim escrevendo as mais vergonhosas e
decadentes páginas na história da literatura Soviética.
Ainda pior, essa camarilha tenta impor a linha literária revisionista
aos povos do mundo. A despeito de seus desejos, tem formulado uma linha
revisionista geral baseada no que se denomina o desenvolvimento da
literatura do século XX, afirmando que “a linha geral de desenvolvimento
da literatura do século XX é compreender e enriquecer a tradição do
realismo crítico e do realismo socialista, isto é, a tradição de Maxim
Gorky, Andersen Nexö, Romain Roland, Theodore Dreiser, Thomas Mann e
Henrich Mann, Pablo Neruda e Bertolt Brecht, Mikhail Sholokhov, Leon
Kruch-kowski, Henri Barbusse, Louis Aragon, Vladimir Mayakovsky
Vítézslav Nezval, Mihail Sadoveanu e Johanes Brecher” [1].
A partir do que eles chamam a linha geral de desenvolvimento da
literatura do século XX, os revisionistas modernos soviéticos estão
atualmente tentando frustrar o desenvolvimento da genuína literatura
socialista e revolucionária no século XX. Eles têm descaradamente
excluído os escritores asiáticos e africanos que estão na vanguarda da
luta revolucionária anti-EUA. Isto é a completa exposição de sua atitude
de hostilidade e negação para com a literatura revolucionária asiática e
africana. Através de sua “linha geral de desenvolvimento da literatura
do século XX”, a qual é uma mistura de escritores revolucionários,
não-revolucionários e contrarrevolucionários, os quais não fazem
distinção entre inimigos e amigos, eles atualmente querem propagar os
artigos da literatura renegada de Sholokhov sob a bandeira da literatura
revolucionária de Gorky. Eles estão conduzindo atividades criminosas
contrarrevolucionárias sob a bandeira do socialismo. Enquanto tagarelam
sobre ajuda à luta revolucionária antiimperialista dos povos da Ásia e
da África, eles têm se ocupado com um encontro para celebrar Kipling, um
escritor colonialista em um país imperialista.
Porque veste a capa da “revolução” e do “socialismo”, a literatura
soviética hoje é mais perigosa que a literatura imperialista. Nós
devemos tirar sua capa e analisar sua essência para ver a quem ela
beneficia e a quem ela prejudica, e que atitude ela adota a respeito da
luta revolucionária de libertação dos povos do mundo e dos povos
asiáticos e africanos numa mão e na outra o imperialismo
norte-americano, o inimigo número um dos povos do mundo.
Exaltando os horrores da guerra opondo-se a guerra revolucionária
Como o Presidente Mao Tsetung disse, as nações oprimidas e os povos
do mundo têm descoberto de sua experiência comum e lutas atuais que os
imperialistas e os reacionários de vários países “todos têm espadas em
suas mãos e estão decididos a matar”. Em face das guerras de agressão e
repressão armadas realizadas por toda parte pelo imperialismo encabeçado
pelos Estados Unidos e por seus lacaios, eles têm compreendido que não
têm escolha senão levantar em resistência se querem conquistar a
libertação. Em particular, os povos da Ásia e África hoje estão
agarrando mais e mais firmemente a verdade irrefutável que “o poder
nasce do fuzil”. Um após outro, eles têm pego em armas, usando da mais
efetiva arma mágica, a guerra popular revolucionária, para lutar contra o
imperialismo norte-americano e seus lacaios.
Como o imperialismo norte-americano, os revisionistas soviéticos
modernos que se têm degenerado em cúmplices daqueles estão marcados para
morrer pela onda da revolução armada dos povos do mundo, e
especialmente da Ásia e da África. Além de tomar politicamente “ações
unidas” com o imperialismo norte-americano para sabotar a luta
revolucionária dos povos asiáticos e africanos, eles têm também usado a
literatura e a arte para espalhar a falácia que “até mesmo uma pequena
faísca pode causar uma conflagração mundial” [2], e aplicadamente
exaltar os horrores da guerra e vender o pacifismo reacionário numa vã
tentativa de desarmar mentalmente os povos e entorpecer e solapar o
desejo revolucionário dos povos asiáticos e africanos.
Seguindo criminosas ordens da liderança da camarilha soviética para
se opor à revolução popular, muitos escritores revisionistas modernos
fazem esta sua primeira tarefa em propagar a teoria que “guerra é
destruição” e espalhar o horror nuclear. Como Kruchov, eles empreendem a
afirmação de que guerra significa “ruína”, “destruição”, “fratricídio”
[3] e “morte”, que “sangue e cinzas” devem ser os únicos “sinônimos para
guerra” [4], que “a Terra está alarmada” [5] e “a Humanidade está na
berlinda” [6] e que com a existência das armas nucleares basta que
alguém apenas “aperte um botão, e o mundo será destruído pelo massacre
atômico” [7]. Eles têm por isso afirmado que “a guerra é nosso inimigo
comum” e gritado, “Abaixo a guerra!” Tomemos a pequena novela de
Aitmatov
A Terra Mãe (1963). Através da heroína de
A Terra Mãe,
o autor faz a acusação de que por causa da guerra “muitas pessoas
morreram por nada” e “muitas terras foram devastadas”. Ele acaba com as
declarações: “Pessoas além das montanhas e mares… Eu sou o mesmo para
todos vocês” e “meu inimigo mortal é quem começa a guerra!” Tomemos
Harmonia de Aseyev (1963). Nesta coleção há um poema o qual é atualmente
entitulado “Abaixo a Guerra!” no qual lê-se uma parte:
Para o mundo inteiro
Não cair na ruína,
Abaixo a
guerra!
Abaixo a guerra!
Abaixo a guerra!
Com igual frenesi o jovem poeta Rozhdestvensky afirmou em seu
Requiem (1961): “Nós devemos estraçalhar a guerra… Morte à guerra! Amaldiçoem a guerra, povos da Terra!”
Nós consideramos que existem dois grandes tipos de guerras: justas,
guerras revolucionárias e injustas, guerras contrarrevolucionárias, e
que o imperialismo encabeçado pelos Estados Unidos é a raiz de todas as
guerras de agressão de nosso tempo. Nós opomos firmemente todos os tipos
de guerras injustas que obstruem o progresso e especialmente as guerras
de agressão lançadas pelo imperialismo encabeçado pelos Estados Unidos.
Quanto às guerras justas, e particularmente as guerras revolucionárias
dos povos da Ásia e da África ou e qualquer lugar pela libertação e
independência nacional, não somente devemos nos privar de opor a elas
mas devemos firmemente apóia-las e participar ativamente nelas.
Escritores revolucionários devem implacavelmente expor e denunciar todos
os tipos de guerras injustas e entusiasticamente apoiar e louvar as
guerras revolucionárias justas dos povos. Escritores revisionistas
soviéticos têm obscurecido ao máximo a distinção de princípios entre
justas, guerras revolucionárias e injustas, guerras
contrarrevolucionárias, eles indiscriminadamente e selvagemente
amaldiçoam todas as guerras e gritam “Abaixo a guerra!” Isto expõe
completamente sua traição em tentar encobrir o fato de que o
imperialismo norte-americano é o aqui culpado pelo lançamento de guerras
de agressão e em obstinadamente opor às guerras revolucionárias dos
povos. Nós gostaríamos de perguntar: vocês querem abolir as guerras
revolucionárias travadas pelas nações oprimidas e povos do mundo para
derrubar os governos dos agressores e opressores? Vocês gritam “Abaixo a
guerra!” em uma época que os povos do Vietnam do Sul, Laos e outras
regiões estão heroicamente resistindo à agressão do imperialismo
norte-americano por suas resolutas, prolongadas guerras revolucionárias.
Não é seu desejo que nós, os povos da Ásia e da África, deveríamos
depor nossas armas e nos rendermos ao imperialismo norte-americano e
seus lacaios e nos deixar oprimidos e escravizados
perpetuamente?Obviamente, maldizendo e opondo-se a todos os tipos de
guerra, vocês apontam para opor as guerras revolucionárias dos povos da
Ásia e da África e de outras partes do mundo pela libertação e
independência nacional.
Os escritores soviéticos revisionistas modernos estão servindo como
destacamento especial do imperialismo norte-americano na literatura,
eles estão sabotando as lutas revolucionárias dos povos asiáticos e
africanos. Esta posição renegada é especialmente clara no seu tratamento
da guerra anti-fascista e da luta do povo vietnamita contra a agressão
norte-americana e pela salvação nacional. Todos sabem que tanto a guerra
anti-fascista travada pelo povo soviético entre 1941 e 1945 e a
presente guerra contra o imperialismo norte-americano travada pelo povo
vietnamita pela salvação nacional são justas, são guerras
revolucionárias. Mas os escritores revisionistas modernos flagrantemente
distorcem e difamam ambas essas guerras.
Em uma série de trabalhos na guerra anti-fascista, os escritores
revisionistas modernos da União Soviética tem deliberadamente retratado a
felicidade individual diametralmente oposta à grande guerra contra a
agressão e chegaram ao seu extremo ao exaltar a “crueldade” e “horrores”
desta guerra justa, alegando que isto não trouxe nada senão “morte” e
“desastre” para milhões e milhões de pessoas.
Vamos primeiro olhar uma história de Sholokhov
O destino de um homem (1956).
Antes da guerra Sokolov, o herói da história, construiu ele mesmo uma
pequena casa para si e sua esposa, comprou dois bodes. Ele disse, “O que
mais nós queremos?” Quando vem a guerra, “tudo foi destruído num
simples instante”. A guerra anti-fascista terminou com vitória e o mundo
inteiro foi tomado por alegria, mas Sokolov, tendo perdido sua casa e
seus amados na guerra teve um incurável ferimento em seu coração. Seus
olhos foram “cheios com tão inextinguíveis anseios e tristezas que é
duro olhar para ele.” No final da história o autor faz um ponto
especial: “Não somente em seu sono eles choram, estes velhos homens
cujos cabelos enbranqueceram nos anos da guerra. Eles choram, também,
nas suas horas insones”. Isto dá ainda maior ênfase para o ferimento
espiritual que a grande guerra anti-fascista supostamente infligiu a
toda uma geração. O peçonhento objetivo do autor é espalhar ódio e medo
da guerra revolucionária descrevendo o destino trágico de um soldado
soviético na guerra anti-fascista, e assim tentar amedrontar os povos
para abandonar suas lutas revolucionárias contra os agressores e
opressores.
Para tornar a questão mais clara, vamos citar mais duas palavras. Em sua novela
Julho 1941 (1965)
G. Baklanov, desejando exaltar a “tragédia” da guerra revolucionária e
difamá-la como a causa de “desastres” e “morte”, dedica abundante espaço
para a descrição naturalista de horrores assim como campos de batalha
espalhados com corpos de soldados do Exército Vermelho, cidades em
ruínas, casas caindo em chamas, mulheres em pânico e crianças chorando
por ajuda e correndo por suas vidas. Na história
Zosia
de V. Bogomolov (1965), o herói não se interessa pela recente libertação
de duas cidades por suas próprias tropas, mas ao contrário pensa que a
libertação significa apenas “várias pilhas de listas de baixas”. E assim
vai em frente. Não é toda esta desajeitada propaganda para a teoria de
que “guerra revolucionária é destruição”?
Hoje a propaganda da mídia soviética foi tão longe em ativamente
retratar a guerra revolucionária do povo vietnamita contra a agressão
imperialista norte-americana como uma guerra na qual “os feridos gemem
com a dor” e “o povo numa indescritível miséria” [8] estão em todo lugar
em evidência. É uma inescrupulosa distorção e um grosseiro insulto ao
heróico povo vietnamita. O órgão do governo soviético Izvetia ainda
citou um repórter estrangeiro referindo-se a essa justa guerra como “uma
das maiores tragédias do mundo” [9]. Que calúnia gratuita contra a
grande luta anti-EUA do heróico povo vietnamita pela salvação nacional!
Nós não negamos o que a guerra traz de destruição, sacrifício e
sofrimento. Entretanto, se alguém desiste de opor-se à agressão armada
imperialista e aceita a escravidão, a conseqüente destruição, o
sacrifício e os sofrimentos serão maiores. Em uma guerra revolucionária,
o sacrifício dos poucos pode trazer a segurança de toda a nação, todo o
país, e até de todas as pessoas. O sofrimento temporário pode trazer
paz e felicidades duráveis e até perpétuas. Lenin, o mestre da revolução
proletária mundial, disse que aqueles os que falham em analisar a
natureza das guerras e indiscriminadamente condenam a guerra por seus
inevitáveis sacrifícios e espalham o pacifismo reacionário, são ou
“profundamente ignorantes” ou “rematados hipócritas defensores de
Kolchak (Kolchak foi um chefe contrarrevolucionário da Guarda Branca –
os autores)”. Não são os escritores revisionistas modernos da União
Soviética “rematados hipócritas”? Eles têm exagerado as perdas e
sacrifícios de alguns na guerra revolucionária e colocado no lugar deles
uma falsa luz, assim incitando ódio e medo da guerra revolucionária
entre as pessoas e instigando oposição a ela. Por essas viciadas
descrições, eles não somente mancham diretamente a guerra popular
revolucionária, mas, em coordenação com a estratégia global do
imperialismo norte americano, eles tentam corroer, entorpecer e solapar o
desejo de luta dos povos revolucionários do mundo e sabotar a luta
revolucionária dos povos asiáticos e africanos. É por isto que essa
literatura em temas de guerra é diretamente literatura
contrarrevolucionária e os renegados escritores soviéticos são um
destacamento especial na literatura que serve à política imperialista de
agressão.
Propagando a filosofia da sobrevivência e o capitulacionismo
A filosofia da sobrevivência representa os interesses do estrato
privilegiado da burguesia da União Soviética hoje. Seus membros têm
levado uma vida totalmente divorciada do povo trabalhador, e na
ideologia eles têm traído completamente o legado da Revolução de Outubro
e abandonado o grande ideal da revolução mundial. Eles têm se colocado
contra o povo da União Soviética e todos os outros países e se unido com
os imperialistas e todos os reacionários.
Os escritores revisionistas modernos da União Soviética são membros
deste estrato soviético privilegiado e servem como seus porta-vozes.
Eles não têm dispensado nenhum esforço em opor a revolução popular em
todos os países em nome de preservar o capital investido deste estrato.
Seguindo o caminho de Kruchov, eles têm vociferadamente advogado a
idéia de que a sobrevivência é tudo. Em prol da sobrevivência, eles
anulam completamente os heróicos feitos do povo soviético na Guerra
Anti-Fascista, caricaturaram os soldados soviéticos, e pintaram covardes
e traidores que passaram ao inimigo para salvar suas peles nas mais
incandescentes cores como se eles fossem heróis. Sholokhov, Simonov e
seus iguais são os mais descarados e enérgicos nesta tentativa.
Em E
les lutaram pela Pátria, Sholokhov retrata
Zvyagintsev, um pusilânime que abandona sua posição de classe e esquece o
ódio pelos inimigos da nação. Ao invés de condená-lo como um vilão, o
escritor o exalta como um “herói”. Durante a invasão alemã da União
Soviética, quando Zvyagintsev é deparado com o perigo de sua vila ser
devastada e seu país ser invadido pelos alemães, ele pensa apenas em sua
própria sobrevivência. Ele é tão amedrontado pelo fogo inimigo que se
torna “trêmulo” e “molha de suor”. Em desespero, ele se volta a deus por
ajuda e reza, “Senhor, me salve! Não me deixe perdido, Senhor!…”
Este herói retratado por Sholokhov não tem a menor essência de um
homem do Exército Vermelho que inveteravelmente odeia os agressores
fascistas. Ele é inteiramente a imagem de um mercenário a serviço da
reação. Nós deveríamos perguntar: que diferença existe entre este
personagem e as tropas imperialistas agressoras em toda sua feiura,
desprezivelmente murmurando oração a deus quando muito espancados pelo
povo revolucionário e retirando-se em uma derrota após outra dos campos
de batalha do Vietnam como o fizeram na Coréia? Através de seu
personagem, Sholokhov anuncia a filosofia que “A morte não é uma titia.
Este vilão é igualmente amedrontador para todos – o membro do Partido, o
não-membro do Partido ou qualquer outro homem…” Esta filosofia é
consistente com a idéia capitulacionista advogada pela liderança do
PCUS, a idéia que “a bomba atômica não faz distinções de classe – ela
destrói todos, com a extensão de sua ação destrutiva”. [10] Então se
você não quer morrer ou ficar ao alcance da ação destrutiva da bomba
atômica, a única coisa a fazer é deixar suas armas, cair de joelhos e
render-se aos imperialistas e reacionários.
Um outro escritor renegado, Simonov, propagandeia a mesma filosofia da sobrevivência em seu romance
Os vivos e os mortos
(1960) através do retrato de um comissário político, um instrutor de
formação política do Exército Vermelho, Sintsov. Um dia, quando Sintsov
temporariamente deixa a frente de batalha em uma incumbência, ele se
sente livre por um tempo da ameaça da morte. Com ilimitada simpatia, o
escritor procede a descrever o estado mental de Sintsov:
“Agora o sol aquece, o céu é azul, e os aviões estão voando em algum
outro lugar, não aqui, e os canhões não estão atirando neste lugar, e
ele anda, e quer viver tanto, tanto, que ele quase cai prostrado no chão
e chora e suplica avidamente por outro dia, dois dias uma semana de tão
segura tranqüilidade no conhecimento de que enquanto ela durasse, ele
não morreria.
Com sua própria pusilanimidade, desprezível mentalidade filistéia, o
escritor criou e exaltou este personagem que estima a sobrevivência
pessoal como a maior “felicidade”.
O Presidente Mao Tsetung mostra que um exército revolucionário “tem
um espírito indomável e é determinado a vencer todos os inimigos e nunca
ceder. Sem importar que dificuldades e provocações, mesmo que ele reste
sozinho, ele continuará lutando”. Esse é o verdadeiro heroísmo do povo
revolucionário. Os escritores revisionistas modernos soviéticos têm medo
desta ideologia do povo revolucionário. Eles atacam esta ideologia, a
qual está sendo compreendida cada vez mais por um vasto número de povos
revolucionários, e tentam resistir a esta ideologia com sua filosofia da
sobrevivência.
Procedendo com a pregação da filosofia da sobrevivência e servindo às
necessidades dos políticos revisionistas, os escritores revisionistas
modernos soviéticos não se limitam à glorificação de covardes
aterrorizados com a morte; eles inevitavelmente dão o próximo passo –
embelezar traidores que desertam para o inimigo. Novamente, vamos pegar
O destino de um homem de
Sholokhov. Quando Sokolov, o herói, acha que a linha do front mudou
para além dele, ele fica apavorado e voluntariamente “caminha para o
Oeste, para a captura”. Mais tarde ele responde ao chamado dos gangsters
de Hitler e trabalha subservientemente como motorista de um major
fascista, assim abertamente traindo sua pátria mãe. Sokolov, um
personagem louvado aos céus pelos revisionistas modernos soviéticos, é
de fato um completo traidor.
A literatura soviética está agora crescentemente enchendo-se com
esses tipos de “heróis”. Os personagens criados por V. Bykov estão entre
os mais flagrantes. Em seu
Páginas do front,
A cilada,
Balada alpina e
outros trabalhos, Bykov exorta a si mesmo a exaltar a vacilação, a
hesitação, medo da morte, etc. dos soldados soviéticos em face do
inimigo e altos elogios a estes covardes como “heróis”. No pequeno
romance,
A cilada, o tenente de artilharia Klimchenko é
capturado e mais tarde solto pelo inimigo. Quando ele sente que não vai
ser fuzilado, ele pula de alegria e grita: Viva! Viva! Viva!
A literatura revisionista soviética não glorifica somente traidores e
difama os verdadeiros heróis, ela também vende a filosofia da
sobrevivência em nome de escrever em memória dos mártires. O longo poema
Réquiem do jovem poeta R. Rozhdestvensky, o qual nós
já mencionamos, é um exemplo neste caso. Sob a dedicatória “À memória de
nossos pais e irmãos mais velhos, os eternamente jovens homens e
oficiais do Exército Soviético que caíram nas frentes da Grande Guerra
Pátria”, o poema vende a idéia reacionária de recusa em devotar a vida à
revolução. O longo poema começa historicamente pela repetição da frase
“Glória eterna aos heróis”. Mas imediatamente depois, o poeta pergunta
traiçoeiramente:
Mas para que serve,
Essa glória,
Para a morte?
Para que serve,
Essa glória,
Para a queda?
Quem salvaram
Todos os que vivem.
Mas não salvaram
A si próprios…
Para que serve isso?
Essa glória
Para a morte?.. .
“Para que serve isso, essa glória para a morte?” Que pergunta
peçonhenta! Foi a glória pessoal o único objetivo dos heróis que
valentemente resistiram ao imperialismo norte-americano e à reação pela
libertação e independência nacional de seus países, e que avançaram
passo-a-passo, verteram seu sangue e sacrificaram suas vidas? Nguyen Van
Troi e muitos heróis desconhecidos da Ásia e da África sacrificaram
suas vidas gloriosamente no calor da batalha e assim despertaram mais e
mais lutadores do tipo de Nguyen Van Troi para a ação. Pode-se dizer que
eles morreram em vão?
Os escritores revisionistas modernos soviéticos revelam completamente
seus próprios traços horrendos através de suas atitudes a respeito dos
verdadeiros heróis revolucionários e a respeito dos heróis
pseudo-revolucionários. De fato, seus trabalhos pregam que a bem da
sobrevivência e da salvação da própria pele, não importa que se torne um
traidor, capacho ou lacaio, ou cometa atos nojentos traindo os
interesses nacionais, traindo a causa revolucionária e capitulando ao
imperialismo.
A imprensa controlada pelo grupo da liderança do PCUS amontoa
intermináveis elogios a esse tipo de trabalho. Eles estão traduzindo
para línguas estrangeiras e adaptando em filmes, que estão sendo
obrigatórios nos países asiáticos e africanos e em outros para envenenar
a mente de seus leitores e sua audiência. O objetivo de tudo isto é
usar o apelo artístico da literatura para solapar o desejo de luta dos
povos revolucionários. Por sua própria experiência na grande luta contra
o imperialismo norte-americano e os reacionários, os povos em luta na
Ásia e na África têm-se tornado crescentemente conscientes dos perigos
criados pela literatura e pela arte soviéticas contemporâneas; eles se
sentem mais e mais fortes em nome da oposição ao imperialismo
norte-americano, é imperativo opor-se resolutamente ao revisionismo
moderno. Os povos em várias regiões da Ásia e da África boicotam
firmemente a literatura e os trabalhos de arte que advogam a filosofia
da sobrevivência e o capitulacionismo. Isso mostra mais convincentemente
a essência dessa literatura.
III. Embelezando a classe inimiga e advogando a reacionária teoria da “natureza humana”
Em seu esforço em executar a linha capitulacionista da “coexistência
pacífica”, os revisionistas modernos soviéticos tentam intensamente
embelezar a classe inimiga. Para este propósito, eles têm desenterrado a
reacionária teoria da “natureza humana” para servir como base teórica.
Eles proclamam que a natureza humana é comum a opressores e oprimidos,
aos imperialistas e aos povos da Ásia, África e América Latina. Eles
espalham pontos de vista tão reacionários como a “ressurreição da
natureza humana” e o “completo e harmonioso desenvolvimento do homem”.
No capítulo “Balada sobre uma estrada” em seu longo romance
Lipyagi,
S. Krutilin louva o kulak contra-revolucionário Matvei que torna-se um
“adorável” homem porque sua “natureza humana foi ressucitada”. Matvei é o
assassino do camponês pobre Taras. Uma vez renegado e membro da gangue
bandida de Makhno, Matvei é responsável pela morte de muitas pessoas.
Mas uns poucos anos mais tarde, este contra-revolucionário, culpado dos
mais abomináveis crimes, é finalmente comovido por sua consciência. Ele
retorna para sua vila e, ajoelhando-se aos pés da viúva Tara, pede seu
perdão. No entanto, ele não pode ganhar a confiança e a compreensão das
pessoas à sua volta. Elas o olham com “olhos desdenhosos”. Penitente e
atormentado espiritualmente, ele depara com um beco sem saída e
finalmente se enforca. O escritor espalha a idéia que uma vez
ressuscitada sua “natureza humana”, os contra-revolucionários guardarão
suas facas de abate e se ajoelharão aos pés das pessoas. Se isto fosse
assim, haveria mais alguma necessidade de luta entre opressores e
oprimi-dos, entre senhores e escravos, entre assassinos dos povos e
revolucionários? Haveria alguma necessidade do povo fazer a revolução?
Apenas a necessidade de esperar pela ressurreição da natureza humana,
quando todas as contradições serão resolvidas e a paz prevalecerá no
mundo. Mas quem já viu as coisas acontecerem assim? Quem já viu
antagonismos de classes resolvidos pela abstrata natureza humana? Os
trabalhos que louvam a força da natureza humana são meros embelezamentos
do inimigo nada são além de mentiras e trapaças.
Sholokhov em seu
O Don Silencioso, vai muito mais
além que o embelezamento de Matvei por Krutilin na sua glorificação da
“natureza humana” de Grigori, comandante de divisão no exército
contra-revolucionário rebelde lutando contra o Exército Vermelho. Sob a
caneta de Sholokhov, Grigori aparece do início ao fim como de bom
coração, corajoso, correto e simpático. Ele nunca perde sua “natureza
humana” nem quando ele está raivosamente assassinando marinheiros
vermelhos. Ele lamenta ter matado, atormenta-se, sente dor e chora
amargamente. E então, a este oficial contra-revolucionário, de espada na
mão, é dado um nobre caráter! De acordo com a lógica de Sholokhov, um
revolucionário e um contra-revolucionário não se diferenciam pela
virtude da classe à qual eles pertencem. A “natureza humana” é o único
critério para julgar uma pessoa. Grigori não é moralmente baixo porque é
um comandante de divisão em um exército contra-revolucionário rebelde,
tampouco um revolucionário tem espírito nobre porque luta pela causa
revolucionária. Todos os homens e classes devem encontrar a prova da
“natureza humana”. Nas palavras dos críticos revisionistas modernos da
Unia Soviética,
… a respeito das mudanças que ganharam terreno na concepção de homem
na literatura soviética: características que poderiam ter parecido
positivas ontem agora ocasionalmente apresentam-se como negativas…
Alguns recentes heróis positivos não passaram no teste da natureza
humana… Os parâmetros das qualidades humanas estão mudando. [11]
Beleza tem se tornado feiúra e feiúra, beleza; inimigos tem se
tornado amigos e amigos, inimigos. Tal é a grande contribuição da
literatura soviética atual em sua defesa da abstrata natureza humana!
Eles clamam que a força da literatura da “natureza humana” tem
“brilhado” tocado os corações das pessoas que pertencem a classes
antagônicas. Em A terceira Chama de V. Bykov, o homem do Exército
Vermelho Loznyak em socorro de um piloto de tanque fascista alemão que
está morrendo queimado. Procurando pelo seu corpo, Loznyak descobre
“algumas fotografias embrulhadas em celofane”, uma das quais mostra “uma
sorridente garota de cabelos loiros… Muito bonita”, e uma outra mostra o
fascista com sua mãe. No verso desta estão escritas algumas palavras em
alemão. Enquanto lia a inscrição do bandido fascista que estava fora
para escravizar sua terra-mãe, o homem proletário do Exército vermelho
murmura para si:
E por um minuto estas poucas palavras me deixaram perdido. É
realmente tão óbvio, mas eu nunca pensei que meu inimigo iria
subitamente revelar ter uma mãe, uma velha mulher com rosto
entristecido, ou que ela iria tão inesperadamente aparecer entre nós.
Ela o ama, ele é seu último filho, e , como qualquer mãe, ela está
temerosa de que alguma coisa possa acontecer a ele – as muitas coisas
que têm acontecido com ele. Sim, ela deu-lhe a vida, amamentou-o,
regozijou-se quando ele começou a andar, começou a falar. Ela viu isto
que ele não tinha notas ruins na escola e não havia gripado, não caiu
doente ou foi atropelado. Ela fez apenas o que minha mãe, a de Lusya, a
de Popov, de Lukyanov e todas as milhões de mães na Terra fazem. Ele
talvez seja um bom filho, ele talvez a ame e seja muito querido desta
garota.
Pensando tudo isto, Loznyak perde todo ódio e coragem e sente-se
abatido. Qual é a posição de classe do autor e para que tipo de pessoa é
dirigido o retrato do personagem?
Bykov conta a seus leitores que a bela garota e a mulher de idade
embaçaram o ódio entre homens de duas classes antagônicas, e que o amor
da garota e os pesares da mãe ligaram seus corações. A brecha entre os
fascistas e o povo sofrendo a agressão foi estreitada; os dois lados têm
naturezas humanas “comuns”. Conseqüentemente, os inimigos e assassinos
dos povos são descritos como amigos. Não é isto um corolário vívido do
muito presunçoso slogan revisionista moderno dos Kruchovistas que “O
homem é um camarada, amigo e irmão para o homem”?
Mas que natureza humana “comum” existe ao falar entre Johnson, que
está massacrando o povo no Vietnam com bombas de napalm e armas
químicas, e o povo Vietnamita, que está travan- do uma heróica guerra de
resistência? Os dois lados sem distinção “camaradas, amigos e irmãos”.
Johnson não pode ser considerado nenhuma outra coisa senão o inimigo
jurado do povo vietnamita.
Ativamente propagando a idéia da “comunhão da natureza humana” de
todas as pessoas (se eles são opressores ou oprimidos, as classes
reacionárias governantes ou o povo), os escritores revisionistas
modernos soviéticos buscam solapar e quebrar o desejo de luta dos povos
revolucionários, em uma permanentemente vã tentativa de impedir os povos
escravizados, oprimidos e explorados de se emanciparem.
A literatura revisionista moderna soviética não somente faz o
possível para embelezar oficiais e soldados dos exércitos
contra-revolucionários e agressores, mas também canta ao mesmo tom que
Kruchov em vergonhosamente elogiar o imperialismo norte-americano, o
inimigo comum dos povos do mundo. Peguemos
Homens, Anos, Vida,
de Ehrenburg, como um exemplo. Em seu relato de uma visita ao sul dos
Estados Unidos, ele tem que dizer algo sobre a discriminação e a
perseguição sofrida pelo povo negro de lá. Entretanto, estando
mortalmente com medo de ofender o imperialismo norte-americano, ele
volta a cantar os elogios à reacionária camarilha governante
norte-americana.
Eu sei que agora muito… mudou [referindo-se à perseguição dos negros
pela camarilha governante norte-americana]. Até mesmo os reacionários
americanos entenderam que a África está acordada e que a perseguição dos
negros exclui a possibilidade de boas relações com os Estados
recém-nascidos. … Eu tenho contado minha viagem ao sul não para censurar
os americanos… Eu estou pensando sobre o que vi e experimentei, eu
quero encontrar uma saída.
E a saída é “o desenvolvimento harmonioso do homem”. Debaixo da
caneta de Ehrenburg, a atual classe governante norte-americana tem feito
“progressos” e tornou-se “sensata”. O imperialismo norte-americano não é
mais o inimigo No 1 dos povos do mundo. O povo negro americano pode
atingir sua libertação se eles desejarem somente esperar pelo
imperialismo norte-americano outorgar-lhes esta natureza humana
“harmoniosamente desenvolvida”. De acordo com Ehrenburg, os negros
americanos não tem necessidade da revolução, nem os povos da Ásia,
África e outras partes do mundo não tem nenhuma necessidade de lutar
contra o imperialismo norte-americano.
O fato de Ehrenburg e seus iguais não terem economizado esforços em
anunciar o “progresso” da classe governante norte-americana expõe
completamente os escritores revisionistas modernos soviéticos como
lacaios em sua atitude para com o imperialismo norte-americano. Ao lado
dos reacionários norte-americanos, eles estão ludibriando os povos,
encobrindo os abomináveis crimes dos imperialistas norte-americanos em
dirigir agressões armadas por todos os lugares no exterior e praticando
um regime fascista em casa. Assim eles tentam induzir os povos oprimidos
pelo mundo (incluindo o povo americano) a desistir da luta e abster-se
da revolução, e, pelo contrário, esperar comodamente pelos imperialistas
norte-americanos fazerem o “progresso” constante, e suplicar-lhes que
mostrem misericórdia. Lenin disse, “O escravo que descreve quando
convencidamente descreve sandices sobre a existência escrava e que vai
em êxtase para seu bom e gentil mestre é um completo estúpido”.
Ehrenburg e seus iguais são apenas tão completos estúpidos.
Os escritores revisionistas modernos soviéticos têm lançado aos
ventos as leis da luta de classes e louvado a reacionária teoria
supra-classes da natureza humana a um grau absurdo. Eles fizeram da
“natureza humana” a chave universal para a resolução das contradições
entre as classes e entre todas as nações.
Presidente Mao Tsetung disse, “…existe apenas natureza humana no
concreto, não há natureza humana no abstrato. Na sociedade de classes
existe somente natureza humana com caráter de classe, não há natureza
humana acima das classes.” Persistentemente advogando uma natureza
humana comum a diferentes classes, natureza humana no abstrato, os
escritores revisionistas estão atualmente fazendo isto servir sua
política capitulacionista.
As leis da luta de classes são independentes da vontade humana. Onde
há agressão, há resistência, e onde há escravização, há revolução.
Entretanto, com freqüência a mentira sobre a natureza humana no abstrato
é repetida, e continua a mentira. A natureza dos imperialistas e todos
os reacionários nunca mudará e eles não irão contra a lei pela qual eles
são governados – provocar distúrbios, fracassar, provocar distúrbios de
novo, fracassar de novo… até sua queda. Igualmente, os povos da Ásia e
África seguirão sua própria lei em suas lutas revolucionárias – lutar,
fracassar, lutar de novo, fracassar de novo, lutar novamente… até a
vitória.
Continuara...